terça-feira, 30 de junho de 2009

SURREALISMO: A ARTE IRRACIONAL


O Surrealismo é uma escola de "arte", nascida em 1924, na França, e que pretende retratar o subconsciente, numa visão freudiana da alma, mediante sonhos irreais. As cenas pintadas pelos surrealistas são alucinatórias, absurdas e ilógicas, mantendo o realismo na forma, mas contrariando o senso comum nas imagens.

André Breton, um dos fundadores da escola, define-a no Manifesto do Surrealismo como:

"Um automatismo psíquico pelo qual se propõe exprimir, verbalmente, por escrito, ou de qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento".

"É o ditado do pensamento, na ausência de todo domínio da razão, fora de toda preocupação estética ou moral".

Noutras palavras, Surrealismo é tudo o que vem à cabeça, notado antes de qualquer reflexão:o inconsciente, o automatismo, o sonho acordado, tudo é matéria para essa escola. É a 'arte' irracional, que, no programa revolucionário de bestificação do homem, é apenas mais uma etapa.

Os principais representantes são: "Interior Holandês" de Miró; "A Persistência da Memória", de Dali; "Eu e a Cidade", de Chagall.

Na escultura Marcel Duchamp confeccionou a "Fonte" (foto acima), um penico, escultura que devia figurar num concurso de arte nos Estados Unidos, mas que foi rejeitada pelo júri por não haver nela nenhum sinal artístico, havendo apenas o receptáculo do conteúdo mental do autor.
É sintomático o nível humano alcançado na modernidade...
Paulo Barbosa.


NON MULTA SED MULTUM - NÃO MUITAS COISAS, MAS MUITO

Esse lema é a receita de todo aquele que visa buscar a cultura, ilustrar a inteligência, pois a verdadeira cultura deve basear-se na qualidade e no aprofundamento(multo), muito mais do que na quantidade e na pluralidade dispersiva dos assuntos (multa).
É um preceito antigo, pois encontramos vestígios seu em Plínio, o Jovem e em Quintiliano. Em Plínio, o Jovem lê-se: "Multum legendum esse non multa = deve-se ler muito, não muitas coisas", e em Quintiliano: "Multa magis quam multorum lectione formanda mens = a mente deve ser formada com muita leitura, mais do que com a leitura de muitas coisas".
Paulo Barbosa.

O DIREITO NATURAL E SUAS ESCOLAS

O Direito natural pode ser definido da seguinte maneira:
O conjunto de normas impressas na natureza humana, a fim de que realize adequadamente a sua vida social ou comunitária.
Deste conceito decorre algumas consequências, a saber:
1. O Direito tem por objeto atos externos e visíveis, que interessam não somente ao agente, mas também a outras pessoas;
2. O Direito, por causa da sua repercussão social, tem sempre anexo a si uma sanção temporal.
É o Direito natural o primeiro fundamento da ordem jurídica, e engloba os direitos humanos fundamentais, aqueles que são condição de existência da pessoa humana, como a vida, a liberdade, a propriedade, etc. Estes direitos humanos fundamentais não são outorgados pelo Estado, mas apenas reconhecidos como ínsitos, inerentes à pessoa humana.
Ao longo da História várias concepções de Direito natural foram se desenvolvendo, e muitas com posturas diametralmente opostas. Vejamos algumas correntes com suas respectivas concepções:
1. Corrente sofista-naturalista: tem como representantes os sofistas Hípias (450-400 a.C), Antifonte (445-395 a.C), Trasímaco (440-395 a.C), Cálicles (445-395 a.C), que concebiam o Direito natural como a prevalência do mais forte sobre os mais fracos.
2. Corrente teológica: tem como filósofos Sócrates (469-399 a. C.), Platão (427-347 a.C), Santo Agostinho (354-430), Francisco Suarez (1548-1617), que professavam ser a lei natural a Vontade de Deus; desta forma bom é tudo aquilo que Deus quer que seja, que sua Vontade determina, podendo mesmo mudar o valor de uma ação que hoje é má em boa. É o voluntarismo.
3. Corrente Realista ou Experimental: tem como pensadores Aristóteles (384-322 a.C), Santo Tomás de Aquino (1221-1274), Johannes Messner (1891-1984), Leo Strauss (1899-1973), Michel Villey (1914-1988), Javier Hervada (1934). Ensina essa escola que o 'dever ser' do homem, seu modus agendi, é decorrente da natureza humana, natureza que está ordenada teleológicamente. A experiência iluminada pela razão capta os direitos humanos fundamentais, os princípios básicos do Direito natural, observando os fins a que o ser humano está inclinado. É a corrente autêntica, verdadeira, pois analisando o homem, em sua natureza, extrai-se o dever a que este deve submeter-se para sua própria perfeição e progresso.
4. Corrente Clássica: tem como mestres Tomás de Campanela (1568-1639), Hugo Grócio (1583-1645), Samuel Pufendorf (1632-1694), John Locke (1632-1704), Christian Tomasius (1665-1728), Montesquieu (1689-1755). Estes professam existir uma regra de conduta natural e perfeita para cada situação humana, sendo os contratos estabelecidos pela razão reta, que deduz das normas do Direito natural a conduta correta para cada caso concreto. É a introdução do laicismo no Direito natural.
5. Corrente Idealista: tem como idealizadores São Thomas More (1478-1535), Rudolf Stammler (1856-1938), Gustav Radbruch (1878-1949), Giorgio Del Vecchio (1878-1970). O Direito natural, para esta corrente, seria o 'sentido do justo', ou seja, um ideal de justiça nunca concretizado efetivamente, pois não seria passível de fixação concreta, progredindo naturalmente. É um Direito natural de conteúdo variável.
6. Corrente Intuicionista: seu idealizador é Jonh Finnis (1940) e sustenta ser os princípios básicos da ordem jurídica princípios-evidentes - "self-evident" - apreendidos pela inteligência mediante a intuição do que é justo.
Paulo Barbosa.

domingo, 28 de junho de 2009

AS CRUZADAS, SUAS CAUSAS E RESULTADOS

As Cruzadas foram guerras empreendidas pelos cristãos do Ocidente que tinham por fim rehaver os Lugares Santos invadidos pelos infiéis.
Várias foram as causas destas guerras e, dentre elas, podemos citar:
1. A intolerância dos Turcos Seldjúcidas, que ocuparam lugares preponderantes na Ásia ocidental do século XI ao século XIII e que tinham invadido a Terra Santa;
2. A necessidade, e mesmo obrigação para os cristãos, de preservar o túmulo de Jesus Cristo e proteger os romeiros;
3. O espírito belicoso e cavalheiresco dos fidalgos de então.
A História registra 8 cruzadas, tendo sido a 1ª muito especial tanto pelos seus chefes quanto pelas criações de algumas ordens protetoras dos Lugares Santos. Foi pregada no Concílio de Clermont em 1095, pelo papa Urbano II e Pedro o Eremita.
Os chefes desta 1º cruzada foram Godofredo de Bouillon, Roberto Courte-Heuse, Bohemundo e Tancredo, vencidos em Nicéia e Doryléia, mas tomaram Antioquia e Jerusalém em 1099. Godofredo foi feito Barão do Santo Sepulcro e foram criadas as ordens religiosas e militares dos Hospitalares, Templários e, mais tarde, a dos Teutônicos, para a defesa dos Lugares Santos.
Apesar de não ter conseguido libertar a Terra Santa, as cruzadas, no entanto, produziram importante resultados na política, economia e cultura:
No ponto de vista político, o feudalismo foi enfraquecido, o poder dos reis aumentaram, numerosas guerras entre senhores feudais foram evitadas e impediram, por algum tempo, os progressos dos Turcos;
No ponto de vista econômico, terras foram doadas à burguesia, o Oriente travou contato com o Ocidente onde foram introduzidos plantas e produtos novos, e isso foi causa da riqueza de Veneza, Gênova e outras cidades marítimas;
No ponto de vista intelectual, foi fomentado o progresso das ciências, das letras e das artes.
Paulo Barbosa.

A NOITE E SUA DIVISÃO

Segundo autores antigos a palavra "noite" deriva de "nocivo", e isto porque "faz dano" aos olhos não os deixando enchergar, seu fim próprio.
Divide-se a noite em nove partes, a saber:
1º - Crepúsculo, que significa luz duvidosa, devido neste momento haver luz misturada com trevas. Vem de creperum que, segundo Beda, significa o mesmo que dubium = duvidoso.
2º - Véspera, por que aparece a estrela do ocaso após o pôr do sol, estrela esta que precede o anoitecer e é chamada em latim vesper, a estrela Vênus. É o entardecer.
3º - Prima fax, por que este é o momento de acender as luzes, por volta das 18:00-19:00 horas.
4º - Nox concubia, é a hora do recolhimento para dormir. Vem do latim cubare = deitar.
5º -Conticínio, pois é o tempo em que todos se calam, em que há profundo silêncio. Vem do latim conticescere = calar.
6º - Intempesto, é o espaço médio e inativo da noite, é a alta noite, meia noite, quando todos descansam entregues ao sono. Denomina-se assim do latim intempestus = não oportuno (para ação).
7º - Galicínio, é o momento do canto do galo.
8º - Matutino, é a madrugada, o período entre a retirada das trevas e a chegada da aurora. Denomina-se matutino por que nele começa a figurar a manhã. Curioso é o relacionamento da palavra manhã com maduro - matutinus, maturus -, pois maturus significa aquilo que está prestes a nascer, pronto, preparado.
9º - Aurora, chamado também diluculum ou alva, é o começo do dia ao clarear ou alvorecer; é o momento em que desponta a primeira luz.
Paulo Barbosa.

TIMEO LECTOREM UNIUS LIBRI

Essa máxima - temo o leitor de um só livro - é de autor desconhecido. Alguns, no entanto, atribuem-na a Santo Tomás de Aquino na seguinte variante "Timeo hominem unius libri".
Ensina esse aforismo o quanto é despropositado a pessoa que, tendo feito uma única leitura, pretende conhecer a fundo determinado assunto, ensiná-lo e dissertar sobre ele.
Como encontramos "mestres" deste jaez em nossos dias.
Paulo Barbosa.

O PRINCÍPIO DE CONTRADIÇÃO

O espírito humano ao tomar conhecimento do ser extrai naturalmente um princípio denominado de não-contradição. Este princípio é resultante do relacionamento de duas noções, a de ser e a de não-ser. A noção de ser é o primeiro dado captado pela inteligência, pois tudo o que existe tem ser ou é o Ser, no caso de Deus. Quanto a noção de não-ser, obeservemos que não contém nada a mais de positivo do que a noção precedente de ser, diferindo desta devido a uma pura atividade intelectual, a negação, que é uma reação absolutamente original do espírito, definida por si mesma: eu ponho o ser, em seguida eu o nego, e assim obtenho a noção ou pseudo-noção de não-ser.
Aproximando as duas noções - ser e não-ser - a inteligência constata que elas não podem convir, e esta incompatibilidade se impõe como algo de imediatamente percebido, como um dado primitivo: o ser, de modo algum e enquanto tal, é não-ser. Há oposição entre estas duas noções e é dessa oposição que torna impossível afirmar e negar ao mesmo tempo e sob a mesma relação a mesma coisa, pois assim haveria identificação do ser e não-ser.
Este princípio foi formulado por Aristóteles (Metaph. IV, 3 ss) da seguinte maneira:
"É impossível que o mesmo atributo pertença e não pertença ao mesmo tempo ao mesmo sujeito sob a mesma relação".
Santo Tomás de Aquino o traduziu:
"Impossibile est eidem simul inesse et non inesse idem secundum idem - É impossível afirmar e negar ao mesmo tempo a mesma coisa sob a mesma relação".
Paulo Barbosa.

sábado, 27 de junho de 2009

SAUDADES DA BELLE EPOCHE



Essa é uma das ruas antigas do Rio de Janeiro, a Teófilo Otoni, situada no centro. Quase todas as suas construções são da Belle Epoche.
É muito agradável transitar por ela. Transitar, porém, meditando, contemplando as construções, os sobrados impregnados de história, de passado. Transitar como ser humano, capaz de sentir emoções diante da beleza que nela há, e de sentir nostalgia de um passado em que a ordem vigia na sociedade, porque antes vigia na vida pessoal de cada homem. Apesar de os homens que hoje nela passam, não mais contemplar sua beleza, aí ela está, ao menos para aqueles que ainda possuem a retidão na alma mediante uma inteligência inclinada para verdade e a vontade para o bem, a lembrar um passado cheio de glória e a convidar ao retorno à uma bela época de altaneria e elan para o vertical.
Paulo Barbosa.

A EXISTÊNCIA DO PRINCÍPIO VITAL

A inteligência humana, raciocinando legitimamente, pode chegar a depreender a existência de um princípio vital em todo ser vivo, chamado vulgarmente alma. Tal princípio é imanente, intrínseco ao ser vivo.

Como, pois, se depreende a existência de tal princípio? Considerando as funções características de todo e qualquer ser vivo. Apesar de até hoje nenhum filósofo ou sábio ter apreendido a essência da vida ou sua estrutura íntima, no entanto é certo que esta distingue-se por duas manifestações inconfundíveis, a saber:
. Auto-regulação. O organismo de qualquer vivente é composto de variados elementos químicos - hidrogênio, oxigênio, cálcio, carbono, ferro, zinco, etc. Estes diversos elementos, porém, não se comportam idependentemente uns dos outros, agindo isoladamente, como quando se encontram na natureza, mas suas reações específicas são coordenadas e dirigidas para a conservação do conjunto do organismo a que pertencem. As funções parciais - da célula, do tecido, do órgão - num ser vivo, por múltiplas que sejam, são devidamente concatenadas entre si, de modo a realizar uma única grande função e a servir a um único sjueito.
Deve-se mesmo dizer que uma das notas mais típicas do ser vivo é a unidade. Analisando um ser não vivo, como, por exemplo, uma rocha, ao se quebrar e se pulverizar, guardará, no entanto a estrurura de rocha, de pedra, característica em cada um dos fragmentos resultantes do bloco; cada qual ainda será pedra. Ao contrário, quando se corta uma rã ao meio, não se pode pensar que ficarão duas metades de rã ou uma rã em duas metades, pois, em breve cada uma das partes separadas irá perdendo o seu funcionamento e a sua realidade de rã, entrando em decomposição, e finalmente tornando-se poeira. Donde se conclui que o ser vivo não existe senão em sua unidade característica ou em sua organização típica, só tendo cada parte sua razão de ser em vista do todo ou dentro do todo.
Um outro exemplo que nos permite bem avaliar a unidade do ser vivo é no tocante à alimentação. O ser vivente não ingere qualquer outro ser, mas, antes, escolhe no seu ambiente o que lhe convém e elimina o que não lhe serve: nutre-se, por exemplo, de verduras, frutas, laticínios, carne, de tal modo, porém, que após a digestão esses alimentos estejam convertidos na estrutura do ser vivo. Aquilo que não pode ser assimilado, o que quebraria a unidade do organismo, é simplesmente lançado fora, segundo sábio processo de metabolismo.
Mais ainda: verifica-se que qualquer lesão infligida a um ser vivo afeta em certo grau o organismo inteiro. Cada uma das funções deste é de algum modo mobilizada para reparar o dano sofrido por um só órgão.
Tais fatos levam a concluir que em todo ser vivo existe um princípio de auto-regulação, isto é, um princípio que dirige as funções particulares dos respectivos componentes, imprimindo finalidade superior a cada uma delas; é esse princípio que torna possível a existência de um grande todo, que não é simplesmente a soma dos seus ingredientes - não é mero agregado de oxigênio, hidrogênio, ferro, cálcio, sódio, etc -, mas é realidade nova: é uma roseira, um cão, um touro, um corpo humano, etc.
. Proliferação. Outra propriedade dos seres vivos é a faculdade de reprodução de si mesmos. O vivente não se limita apenas a existir, mas tende também a se expandir e a se multiplicar, produzindo descendentes da mesma natureza que os genitores. Em uma palavra, podemos dizer que todo ser vivo desprende de si células germinais capazes de perpetuar a espécie à qual ele pertence. Já que o mineral não realiza tal função, diz-se que isso é característica dos viventes e supõe, por isso, um princípio intrínseco de atividade capaz de coordenar e subordinar as atividades dos minerais que compõem o organismo vivo.
DISTINÇÃO DOS PRINCÍPIOS VITAIS
Estabelecida a existência de um princípio vital em cada ser vivo, faz-se necessário frisar que nos irracionais - plantas e animais infra-humanos - esse princípio é material, pois suas funções - vegetativas, na planta; vegetativas e sensitivas, no animal - estão estritamente ligadas aos órgãos corpóreos e a objetos concretos. A planta, por exemplo, se nutre "deste" conjunto de minerais, "aqui e agora" existentes; o cão vItálicoê "este" ou "aquele" objeto determinado que se tornará sua presa, ouve "tal" ruido concreto que o estimula, etc. Ora, a atividade de um ser é a expressão da sua estrutura ou da sua essência - agere sequitur esse. Por conseguinte, atividade limitada pela corporeidade implica essência limitada pela corporeidade, ou seja, essência ou princípio vital corpóreo. É o que leva a raciocinar que o princípio vital da planta e do animal irracional é material ou corpóreo.
Já no homem, ao contrário, o princípio vital não é material, mas imaterial, ou seja, espiritual, pois, a vida do homem tem afirmações que transcendem os limites da matéria, do concreto: o homem pode não somente adquirir o conhecimento "deste" ou "daquele" objeto bom, belo, forte, justo, sábio, mas por sua inteligência chega a conceber mesmo a noção universal da Bondade, da Beleza, da Fortaleza, da Justiça, da Sabedoria. Consequentemente, conclui-se que dentro do homem o princípio de atividade ou vital transcende a matéria, isto é, é imaterial ou espiritual.
Esse princípio vital espiritual - chamado também alma humana - preenche simultaneamente as funções da vida intelectiva, da vida sensitiva e da vida vegetativa.
Voltaremos ainda neste assunto em breve.
Paulo Barbosa.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A CRISOPÉIA

Aurélio Augurelo, poeta famoso do século XVI, ofereceu ao Papa Leão X um livrinho em verso, em que tratava de uma arte denominada Crisopéia, ou Arte Aurifatória, que promete ensinar a tirar ouro dos outros metais, por via de operações químicas. O papa, que não ignorava os embustes dos mestres de tal Arte, lhe mandou dar uma bolsa vazia, dizendo: Se é verdade o que promete, basta que lhe demos onde guarde o ouro.
Crisopéia é um dos muitos nomes que recebe a Pedra filosofial, que, segundo os alquimistas, tem o poder de transformar os metais em ouro. Outros nomes desta Pedra são, por exemplo, Céu, Mistério, Crisosperma ou Semente de ouro, Mercúrio dos filósofos etc.
Paulo Barbosa.

SOLON: UM DOS SETE SÁBIOS

Na Lidia, Ásia menor, o seu mais famoso rei chamava-se Creso. Certa vez, havendo-se vestido com os adornos de gala que lhe ordenava a sua vaidade e lhe facilitava a sua riqueza, subiu ao trono e perguntou para o sábio Sólon: Viste jamais espetáculo tão formoso? Respondeu o sábio: Vi, e muito maior: os galos, as araras, e os pavões.
E piu non dico...
Paulo Barbosa.

A PRIMEIRA MULHER PINTORA

Artemísia Gentileschi (1593-1653) foi a primeira mulher pintora conhecida, cujo quadro mais conhecido é "Judite ao matar Holofernes", obra prima do barroco italiano, de inspiração bíblica.
Esta obra reflete todo o sentimento de revolta da artista, pois foi absolvido num processo judicial o homem que a havia violentado, tendo ela mesma que se retratar da acusação. É esta pintura um retrato da alma da artista, de suas emoções e experiências.
Paulo Barbosa.

A ESCOLA DE ARTE ROMÂNTICA

O Romantismo na arte, surgido entre 1800 a 1850, tem como característica a reação à racionalidade, à compreensão do neoclassicismo. Na arte romântica o norte artístico é o sentimento, a paixão, retratando mais o interior do artista do que a realidade, mediante expressões fortes, cores vivas, temas lendários - épicos -, ou naturalistas - paisagens bucólicas pintadas ao ar livre.
Os principais representantes da escola romântica são:
"A Balsa do Medusa", de Géricault; "A Morte de Sardanapalus e suas Concubinas" e "A Liberdade Guiando o Povo", de Delacroix; "Chuva, Vapor e Velocidade", de William Turner.
Paulo Barbosa.

A CULINÁRIA E O "CODEX ROMANOFF"

O objeto da culinária não se restringe apenas a preparar a comida, mas é também uma arte, e é como arte, que após o preparo dos pratos, deve torná-los não só atraente ao paladar, mas de igual maneira ao olfato e aos olhos. Culinária como arte significa saber combinar os ingredientes mais exóticos e apresentá-los sob os mais variados desenhos.
O afamado sábio renascentista, Leonardo Da Vinci (1452-1519), além de pinturas, máquinas inovadoras, projetos arquitetônicos, deixou também à posteridade um Caderno de Apontamentos de Cozinha, conhecido como "Codex Romanoff", onde fazia suas observações sobre como transformar a cozinha numa arte. Da Vinci foi mestre de festas e banquetes na corte de Ludovico Sforzza, como também foi o inventor do guardanapo, para evitar que os comensais limpassem as facas na toalha da mesa, que antes servia para isso, e do spagheti - "spago mangiable" = fio comestível. Motava partos arquitetonicamente dispostos, onde até os sons eram aproveitados, pois colocava grilos vivos no interior dos pratos, e sugeria que o trabalho na cozinha fosse acompanhado de música, "porque os homens trabalham melhor e mais alegremente quando há música".
Paulo Barbosa.

A MENTIRA E SUAS CONSEQUÊNCIAS

O duque de Ossuna e vice-rei de Nápoles, Dom Pedro Xiron, visitando certa vez os presos de uma galé (embarcação em que condenados sofriam a pena de prisão), perguntava-os por que crimes estavam ali. Todos se desculpavam, dizendo uns que ali estavam por testemunhos falsos, outros pela falta de sorte de terem sido confundidos, outros ainda por causa da inimizade dos juízes. Apenas um prisioneiro confessou: "Senhor, estou aqui para castigar meus crimes, pois desde moço tive vida corrupta e pratiquei mil desatinos". O duque, então, fazendo papel de indignado, disse: "E, no entanto, você aqui entre varões tão honrados e de bom procedimento, sendo você um velhaco que lhes podeis pegar a corrupção? Isso eu não consentirei; levantai-vos, e ide para casa".
Paulo Barbosa.

PHILOSOPHI NON VERBIS, SED FACTIS

Muitos filósofos pagãos eram cristãos nas palavras, da mesma forma que muitos bons cristãos são filósofos nas obras - philosophi non verbis, sed factis.
Certa vez um amigo de Diógenes, filósofo grego, tentou persuadir-lhe que não se exercitasse tanto no trabalho, pois já era velho. Com sabedoria respondeu o velho filósofo:
"Se tu correras no estádio com competência, porventura pararias ou afrouxarias, estando já perto da raia ou baliza? Antes apertarias mais o pé. Quanto menos resta de vida, tanto mais devemos procurar que seja honesta".
Paulo Barbosa

PAX ROMANA

Esta expressão já no I século d.C. era usada proverbialmente para indicar a paz do mundo ocorrida sob o domínio dos exércitos romanos, que, segundo os ideais do imperador Augusto, eram portadores de civilização, de ordem e de justiça.
A expressão Pax Romana aparece em Sêneca, Lucano, Plínio, o Velho e em Tácito.
Foi esta pacificação, levada pelo Império Romano, um dos fatores que contribuiram para a rápida difusão do Cristianismo pela Europa.
Paulo Barbosa.

A ESSÊNCIA DO BELO

Quando podemos dizer que uma coisa é bela? A inteligência humana responde que uma coisa é bela quando agrada a quem vê: "Pulchra sunt, quae visa placent", são belas as coisas que agradam a visão. Daqui vemos que são necessárias duas coisas para a beleza: a visão e o agrado, sendo a visão indispensável para uma coisa despertar o agrado, a complacência.
Ao se dizer, porém, que belo é aquilo que agrada a visão, descreve-se o efeito que a beleza produz no sujeito que a contempla, mas não se determina os elementos objetivos que constituem a essência mesma da beleza e que são os princípios de semelhante efeito.
Quais são estes elementos que compõem a beleza? Para que haja beleza tres elementos são indispensáveis: a integridade, a proporção e a claridade.
Integridade, porque uma coisa a que falte alguma propriedade ou perfeição que lhe é devida, é naturalmente disforme.
Proporção, porque não pode ser bela uma coisa se não possuir a conveniente disposição de cada uma das partes em relação a si mesma e ao todo.
Claridade, porque uma coisa para agradar, deve ser vista, e não pode ser vista se não é dotada de luz que a torne visível, e de fato, uma coisa se denomina bela, quando é revestida de uma côr nítida.
A partir do que vimos, podemos então definir a beleza de maneira mais objetiva, dizendo que:
Beleza é a conveniente unidade na variedade, que agrada a quem contempla.
Nesta definição consiste o duplo elemento da beleza, a saber, o elemento objetivo e o elemento subjetivo. O elemento objetivo, que constitui propriamente a essência da beleza, é a conveniente unidade na variedade, é a devida multiplicidade reduzida à devida unidade, enquanto o elemento subjetivo, que denota o efeito da beleza, é o agrado, a complacência, que ela desperta em quem a vê.
Paulo Barbosa.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A ARTE: SUA FINALIDADE E OBJETO. REALISMO OU IDEALISMO?

Arte é a soma das regras diretivas na concepção do belo invisível ou ideal e na sua expressão mediante sinais ou imagens sensíveis. É a execução prática de um ideal.

Possui um fim a arte e este é duplo:

Fim próximo é a própria expressão do belo, distinguindo-se desta maneira tanto da ciência quanto da ética, que têm por objeto a verdade e o bem respectivamente.
Fim último é a perfeição moral do homem, conforme ensina Santo Tomás de Aquino, que "todas as ciências e artes ordenam-se a um único fim, a saber, a perfeição do homem" (In Met. Arist., Proem.).
O objeto da arte é e não pode deixar de ser o belo enquanto se exprime por uma forma sensível.
Mas, o que deve o artista fazer para reproduzir sensivelmente o belo? A arte é uma imitação da natureza e tudo aquilo que repugna à natureza não pode ser belo. Ao considerarmos as coisas naturais chegamos a conclusão de que são compostas de dois elementos, a saber, do elemento visível e do elemento invisível, de matéria e de forma. A forma não pode ser mostrada por si mesma, mas mostra-se nas irradiações da atividade do ser, ou seja, a ação de um ser demonstra sua forma. Uma obra de arte deve também seguir este mesmo padrão, deve ter uma forma invisível, um ideal por si transcendente e ter uma imagem que dê corpo a essa forma, ter um sinal sensível através do qual transluza e se manifeste o ideal.
Onde encontra-se o ideal? Na sua perfeição absoluta encontra-se unicamente em Deus, e este ideal divino tem o seu reflexo na criação. O artista, ao imitar a natureza, imita o próprio Deus. É neste sentido que Dante exclamou (Inferno, XI) que a arte é neta de Deus, pois a natureza é filha do Criador.
O ideal divino, o arquétipo soberano nem sempre é reproduzido fielmente nas obras da natureza, pois o sinal sensível, o elemento material é. muitas vezes, defeituoso. Deve, portanto, o artista, primeiramente, conceber o ideal abstrato, tipo de uma obra perfeita, e este ideal é concebido a partir da contemplação da natureza, enquanto, descobrindo na criação variados elementos, escolhe os que lhe servem, combina-os em ordem ao seu fim, produzindo desta maneira um tipo de beleza, chamado ideal, porque só existe na inteligência humana e não na relidade. Desta maneira o artista idealiza o real. O artista é transportado para o campo da idealidade movido pela tendência natural do nosso espírito para o infinito, e, depois de idealizar o real, deve realizar o ideal, e esta realização se perfaz escolhendo as formas sensíveis - linhas, cores, sons, imagens, - que mais eficaz e vivamente o exprimem e representam, de modo que possamos contemplar, através destas formas o ideal e provar as emoções que o próprio artista provou.
Desta forma vemos que a arte é uma interpretação, uma idealização, uma transfiguração da natureza, e por esse motivo, suas obras devem ser mais perfeitas e mais belas que as da natureza.
Do que fica dito, devemos dizer que o artista verdadeiro, autêntico, não pode ser nem exclusivamente idealista, nem exclusivamente realista, mas deve seguir um idealismo mitigado. Não pode o artista imitar servilmente a natureza, imitá-la nas suas imperfeições e deformidades, causadas pelas ações das causas segundas, pois, se assim tivesse que ser, as belas artes, em vez de representarem o belo que tem como objeto, representarão o disforme; em vez de causarem agrado, causarão desgosto, como muitas obras ditas de arte em nosso tempo. O grande artista Rafael Sanzio pontificou que o pintor deve representar as coisas, não como a natureza as fez, mas como devia fazê-las, pois a arte é e não pode deixar de ser uma interpretação ou transfiguração da natureza.
Paulo Barbosa.

SOBRE A RETÓRICA

Retórica é a ciência que ensina a bem dizer os assuntos civis, religiosos, forenses, utilizando recursos de eloquência próprios para persuadir. Esta persuação, no entanto, deve ser para o bem e para o justo.

O termo é proveniente do grego e significa o recurso da palavra, já que entre os gregos "palavra" se diz rhésis, e "orador" rhétor.
Apareceu ligada à gramática, pois, segundo os antigos, com a gramática instrui-se na correta fala, equanto com a retórica aprende-se de que maneira deve-se expor os conhecimentos adquiridos.
Esta disciplina foi instituída por Górgias, Aristóteles e Hermágoras, sendo no mundo romano muito difundida e utilizada por Marco Túlio Cícero, o príncipe dos oradores latinos.
Paulo Barbosa.

QUE É A DIALÉTICA

Dialética é a disciplina que faz parte da lógica e que tem por finalidade expor os fundamentos das coisas, ou seja, pela dialética o homem se capacita a definir, investigar e expor, aprendendo de que modo, em várias questões, deve mediante a discussão, delimitar o verdadeiro do falso.
Os primeiros filósofos ocidentais usaram dela em seus ensinos, porém sem ainda uma estruturação científica, sendo Aristóteles que, mais tarde, estabelece os princípios desta ciência.
No termo dialética encontra-se o vocábulo grego lektós que significa "expressão do pensamento".
Paulo Barbosa