segunda-feira, 30 de maio de 2011

LITERATURA LATINA (LXXXVIII): ÉPOCA PÓS-CLÁSSICA APÓS MARCO AURÉLIO - A ELOQUÊNCIA

A ELOQUÊNCIA

PANEGÍRICOS

Uma coleção de discuros laudatórios dirigidos a imperadores e compostos, na maioria, por rétores da Gália, chamada DUODECIM PANEGIRICI, tinha como fundo uma eloquência fictícia a serviço da adulação, com um estilo pomposo que deixa entrever a imitação, mesmo não sendo alguns destes autores desprovidos de talento.

QUINTO AURÉLIO SÍMACO

SÍMACO foi prefeito de Roma em 384, cônsul em 391. É o mais conspícuo representante da eloquência pagã do século IV d. C. Sua correspondência, embora bastante extensa, é pouco instrutiva e bem pouco nos ensina sobre sua época. O estilo é muito puro e habilmente ritmado.
Paulo Barbosa.

sábado, 28 de maio de 2011

LITERATURA LATINA (LXXXVII): ÉPOCA PÓS-CLÁSSICA APÓS MARCO AURÉLIO - A POESIA [4ª PARTE]

A POESIA

OUTROS POETAS

Perteneceram ainda ao período:

NEMESIANO

Autor de CYNEGETICA, poema sobre a caça, escrito em 283 ou 284.

TERENCIANO MAURO

Compôs um poema sobre gramática e métrica. É de data incerta.

AVIENO

Do século IV. Além de uma DESCRIÇÃO DO UNIVERSO, traduziu também os FENÔMENOS e PROGNÓSTICOS, do poeta Arato.

DIONÍSIO CATÃO

Do século V. Foi autor de dísticos.
Paulo Barbosa.



sexta-feira, 27 de maio de 2011

LITERATURA LATINA (LXXXVI): ÉPOCA PÓS-CLÁSSICA APÓS MARCO AURÉLIO - A POESIA [3ª PARTE]

A POESIA

RUTÍLIO CLÁUDIO NUMANCIANO

NUMANCIANO, de origem gaulesa, foi prefeito de Roma em 414. Compôs um poema DE REDITU SUO, onde narra uma viagem que fez de Roma à Gália. É bastante curiosa e agradável sua exposição, apesar dos lugares comuns. Contém duas ciolentas invectivas, uma contra os judeus, outra contra os monges. O fim do poema está perdido.
Paulo Barbosa.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

LITERATURA LATINA (LXXXV): ÉPOCA PÓS-CLÁSSICA APÓS MARCO AURÉLIO - A POESIA [2ª PARTE]

A POESIA

CLÁUDIO CLAUDIANO

CLAUDIANO, de fins do século IV e começo do V, era natural de Alexandria, porém dominava perfeitamente a língua latina. Muitas vezes consagrou seus versos a celebrar seus protetores, especialmente Estilicão. Chegou a dirigir poemas totalmente pagãos aos imperadores cristãos e tornou-se porta-voz dos descontentes que lamentavam o passado e censuravam a fundação de Constantinopla.

O Senado Romano erigiu-lhe uma estátua e reconheceu-lhe o mérito de reunir em si o gênio de Virgílio e de Homero.

OBRAS

Compôs umas mitológicas, dentre as quais a principal é o RAPTO DE PROSÉRPINA, em três livros; outras, sobre assuntos contemporâneos, como a GUERRA DOS GETAS.

O valor de Claudiano é de um verdadeiro poeta. Seu verso é seguro, cheio, harmonioso, suas obras são bem compostas e interessantes, embora prejudicadas em um trecho ou outro pela declamação.
Paulo Barbosa.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

LITERATURA LATINA (LXXXIV): ÉPOCA PÓS-CLÁSSICA APÓS MARCO AURÉLIO - A POESIA [1ª PARTE]

Maior decadência se vislumbra na Literatura Latina depois do Imperador Marco Aurélio, ou seja, após o ano 180 depois de Cristo. Neste período, entretanto, cultivou-se a poesia, a eloquência, a história, a gramática e a erudição.

POESIA

DÉCIO MAGNO AUSÔNIO

 

AUSÔNIO (310-395), durante muito tempo, foi professor em Bordéus, em seguida mestre do Imperador Graciano. Tornou-se célebre e desfrutou de muitas honrarias, chegando a cônsul em 379. Provavelmente converteu-se ao cristianismo, compondo algumas poesias cristãs. No conjunto, porém, sua obra é de inspiração pagã e até mesmo licenciosa.

OBRAS

Compôs IDÍLIOS, dentre os quais sobressai o poema descritivo sobre o MOSELA; ELOGIOS DOS PROFESSORES DE BORDEUS; EPIGRAMAS e muitos outros. Em prosa, escreveu um discurso de AGRADECIMENTO AO IMPERADOR, que o havia nomeado cônsul.

O valor de tais obras existe, pois Ausônio era homem dotado de muito engenho e grande facilidade, sendo capaz de tratar com elegância qualquer assunto. Sua poesia é boa, apesar de não possuir grande originalidade.
Paulo Barbosa.

terça-feira, 24 de maio de 2011

LITERATURA LATINA (LXXXIII): ÉPOCA PÓS-CLÁSSICA - O ROMANCE [2ª PARTE]

O ROMANCE

APULEIO


APULEIO (125-170 d.C.), nasceu na África, em Madaura. Estudou em Cartago e logo após foi para Atenas. Viajou muito e foi morar em Roma, voltando depois para África, onde obteve fama de orador. Em Trípoli, mais precisamente em Oea, casou-se com uma rica viúva mais velha que ele. Foi, então, acusado de ter recorrido à magia para obter a mão dessa senhora, defendendo-se com sua obra Apologia. Durante muito tempo pronunciou pomposos discursos em Cartago e pôs-se a estudar e escrever sobre todos os assuntos. Em sua honra, devido ao reconhecimento que teve ainda em vida, várias estátuas foram erigidas.

OBRAS

As obras de Apuleio demonstram eloquentemente a sua intensa atividade literária. São as seguintes:

1. METAMORFOSES ou O BURRO, que narra sobre um jovem de nome Lúcio que desejando transformar-se em pássaro errou a poção mágica e em consequência adquiriu a forma de burro. Ocorreram-lhe as mais estranhas aventuras sob essa nova forma, servindo ora a ladrões, ora a sacerdotes pagãos, ora a um mercador de legumes, ora a um soldado, etc. Após tantas peripécias, retoma novamente a forma humana numa festa em honra à deusa egípcia Ísis. É então iniciado nos mistérios da deusa e em seguida nos de Osíris, outro deus do panteão egípcio. Este romance contém, junto com cenas do mais grosseiro realismo, pinturas delicadas e até mesmo curiosas efusões místicas.

2. APOLOGIA, discurso pronunciado por Apuleio defendendo-se da acusação de magia. É o único discurso real do tempo do Império Romano que chegou até nossos dias. É uma defesa habilidosa e espirituosa, porém um tanto rebuscada e com trocadilhos de mau gosto.

3. FLÓRIDA, é um extrato dos mais brilhantes passos de suas declamações.

4. DE PLATONE ET EIUS DOGMATE, um resumo da filosofia de Platão em três partes: lógica, filosofia natural e ética.

5. DE DEO SOCRATIS, um dissertação sobre os demônios e especialmente sobre o 'demônio socrático', numa completa ignorância sobre este e ainda bem mal elaborada a obra.

6. DE MUNDO, uma rebuscada tradução do Sobre o Cosmos atribuído a Aristóteles.

Muitas outras obras deste autor acham-se perdidas.

VALOR LITERÁRIO

Bem poucas obras de Apuleio, quanto ao fundo, são originais. Não somente o De Mundo, que ele apresenta como seu, é mera tradução, como também as Metamorfoses reproduzem páginas inteiras de romances gregos. Fora isso, parece que foi bem talentoso na arte da composição e na narrativa, pois suas histórias são, na maioria, primores no gênero.

ESTILO

Ao menos o estilo é bem do autor. É um estilo bastante complicado e estranho, diferente do de Petrônio, que é natural. Sobrecarregado de arcaísmos, de conceituações, antíteses e trocadilhos, denotando que o autor busca os termos mais insólitos. Sob este ponto de vista, suas obras diferem mesmo umas das outras, pois, enquanto em Flórida este ideal (de termos insólitos) chega à culminância e o estilo das Metamorfoses é apenas levemente menos estranho, na Apologia, pelo contrário, e nos pequenos tratados de filosofia, são muito menos notáveis esses defeitos.

Apesar dos senões, é muito interessante a obra de Apuleio e foi ele um dos representantes mais característicos da literatura africana.
Paulo Barbosa.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

LITERATURA LATINA (LXXXII): ÉPOCA PÓS-CLÁSSICA - O ROMANCE [1ª PARTE]

Romances também tiveram seu lugar no período pós-clássico. Dentre os romancistas desta época podemos destacar:

CAIO PETRÔNIO

Deste, segundo os críticos, afirmou Tácito: "Inter paucos familiarium Neroni assumptus est, elegantiae arbiter, dum nihil amoenum et molle adfluentia putat, nisi quod ei Petronius adprobavisset", "Foi admitido entre os poucos dos que faziam a corte de Nero. Era o mestre da elegância e nada parecia bom e elegante se Petrônio não o aprovasse" (Annales, XVI, 18). É este Petrônio favorito de Nero, procônsul da Bitínia, porém, tendo sido acusado de participação na conspiração de Pisão, que visava matar o imperador, foi constrangido a abrir as próprias veias.

Os críticos dizem ser bem provável que este Petrônio taciteano seja o autor dos trabalhos intitulados nos manuscritos PETRONII ARBITRI SATIRICON e PETRONII ARBITRI SATIRICON LIBRI.

Ceia de Trimalquião
O romance em questão é uma mistura de prosa e verso, escrito, sem dúvida, na época de Nero. A identidade, porém, do autor com a personagem citada por Tácito funda-se principalmente na identidade onomástica. Uma grande parte do trabalho perdeu-se e daquilo que restou, merece atenção à CEIA DE TRIMALQUIÃO, um jantar oferecido por um rico onde se encontra uma excelente descrição do luxo da época, assim como dos vocábulos latinos populares. Outras partes que se devem dar atenção é A MATRONA DE ÉFESO, imitada por La Fontaine e A GUERRA CIVIL, uma paródia de Lucano.

COMPOSIÇÃO E ESTILO

Do que restou, pode-se deduzir que a composição é bastante livre, sendo mesmo mais uma série de aventuras do que uma obra com unidade. Contém, todavia, passagens primorosas, mas em alguns tópicos desce à licença desenfreada. 

Quanto ao estilo, é acessível e extraordinariamente natural, vivo, vigoroso e maleável. A língua, muito rica, adapta-se à condição social da personagem que a emprega. Enquanto as pessoas cultas usam um latim correto, puro e até um tanto rebuscado, os ignorantes se colocam a falar muito à vontade. Entres esses extremos, encontram-se todos os cambiantes da língua latina literária, familiar e vulgar. 
Paulo Barbosa.

sábado, 21 de maio de 2011

LITERATURA LATINA (LXXXI): ÉPOCA PÓS-CLÁSSICA - OS SÁBIOS [6ª PARTE]

OS SÁBIOS

MARCO CORNÉLIO FRONTÃO

FRONTÃO, cônsul em 143 e falecido após 174. Nasceu na Numídia, em Cirta e aprendeu o latim e o grego a ponto de escrever com igual facilidade em ambas as línguas. Exerceu as funções de advogado e professor. Teve a felicidade de ser escolhido para mestre do Imperador Marco Aurélio e Lúcio Vero, que lhe tributaram grande amizade e se lhe mostraram reconhecidos. Chegou Frontão a senador e cônsul, mas por motivos de saúde recusou o proconsulado da Ásia. Foi bastante rico e gozou de grande fama.

OBRAS

Grande parte das obras de Frontão foram descobertas em palimpsestos de Milão, em 1815, e de Roma, em 1823. Até esta data Frontão gozava do julgamento de que era um grande homem, mas após a leitura dos palimpsestos, tais documentos revelaram que não passava de um espírito absolutamente medíocre, de uma personalidade sem nenhuma significação, cuja obra não merecia passar à posteridade. Estes palimpsestos compreendem inúmeras CARTAS, muitas delas dirigidas a Marco Aurélio, e DECLAMAÇÕES frívolas, como o começo de um ELOGIO DA FUMAÇA E DA POEIRA. Quando o título se afigura mais sério, como ocorre com o DE BELLO PARTHICO ou o DE NEPOTE AMISSO, o leitor sofre maior desgosto ainda devido à futilidade e ao prosaismo.

É Frontão um dos mais vazios autores que jamais existiram em qualquer literatura. Ordinariamente, só fala para não dizer nada e quando alguma coisa diz, é para falar-nos minuciosamente dos seus reumatismos no pé, na mão, no dedo, na espádua, no cotovelo, etc.

Por vezes, contudo, emite juízos sobre literatura, e estes refletem as ideias da escola arcaizante latina da sua época. Como os Áticos, a cujo grupo se filia, quando escreve em grego, Frontão volta aos autores velhos. Ora estuda os mais antigos, como Plauto ou Catão, ora os escritores do fim da República, como Salústio e Cícero, cujas cartas aprecia mais que os discursos.

ESTILO

O estilo de Frontão é artificial, laborioso e trabalhado, como também cheio de termos antigos ou raros, tevelando, apesar de todo o seu esforço, acentuada falta de talento literário.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

LITERATURA LATINA (LXXX): ÉPOCA PÓS-CLÁSSICA - OS SÁBIOS [5ª PARTE]

OS SÁBIOS

MARCO FÁBIO QUINTILIANO


QUINTILIANO, nascido e falecido em datas desconhecidas no final do século I d.C., era espanhol, da cidade de Calagúrris. Muito cedo foi para Roma, onde estudou com o famoso gramático Palémon e com o rétor Domício Áfer. Regressou, depois, à Espanha e em 68 volta à Roma sob o Imperador Galba. Foi muito famoso como advogado, porém mais célebre se tornou como mestre de eloquência. Foi o primeiro professor remunerado pelo Estado, concedendo-lhe Vespasiano um bom ordenado.

Durante vinte anos ensinou com sucesso, tendo tido vários alunos destacados, como o Imperador Adriano e Plínio, o Moço.

OBRAS

Quintiliano compôs várias obras que, todavia, se perderam, como DE CAUSIS CORRUPTAE ELOQUENTIAE e DISCURSOS pronunciados por ele, mas nunca publicados. A úníca que chegou até nossos dias e que o imortalizou foi INSTITUTIONES ORATORIAE LIBRI XII.

A obra Institutiones Oratoriae foi composta durante dois anos, entre os anos 92-93, e os doze livros foram publicados separadamente. Após a conclusão, uma edição de conjunto apareceu.

Composta a pedido de amigos, reuniu, então Quintiliano, toda a substância do seu ensinamento sobre a arte oratória, compreendida no sentido lato. Inseriu tudo aquilo que contribui, ainda que de modo indireto, para a formação do orador, sem omitir sequer a educação primária.

CARACTERÍSTICAS

As Institutiones têm por característica ser o mais completo tratado sobre arte oratória que a Antiguidade nos legou. Embora o pensamento seja menos profundo que em Aristóteles, e menos brilhante o estilo que em Cícero, o conjunto da doutrina é o mais satisfatório. Quintiliano é exato, não abusa das minúcias de técnica, como costumavam fazer os rétores gregos e latinos do seu tempo. 

Quintiliano foi um homem de muito bom senso e inteligência. Grande parte dos conselhos que hoje em dia são dados sobre a arte de compor e escrever encontram-se nas suas obras. Dotado de fino gosto e muito equilibrado, percebeu os defeitos dos declamadores contemporâneos, o que o levou a preferir os modelos clássicos.

ESTILO E LÍNGUA

Estilo simples, sóbrio, natural, cheio de elegância e delicadeza. Dotado de clareza, precisão e muitas vezes engenhosidade. A língua, porém, depois de Cícero, evoluiu e por isso, mesmo Quintiliando o tomando por paradigma, no respeitante à gramática emprega, sem o querer, uma sintaxe e um vocabulário bastante diferentes, como por exemplo, os aumentativos com prefixo -prae: praedurus, praedulcis, praetenuis, e nenhum aumentativo em -per.
Paulo Barbosa.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

LITERATURA LATINA (LXXIX): ÉPOCA PÓS-CLÁSSICA - OS SÁBIOS [4ª PARTE]

OS SÁBIOS

AULO GÉLIO


AULO GÉLIO, do século II d.C., foi um romano que passou bom tempo na Grécia, onde começou a compor, durante os serões de inverno, a coletânea que denominou NOITES ÁTICAS, em 20 livros. São notas tomadas ao acaso, sem nenhuma ordem, porém preciosas. Em vão, entretanto, se buscaria arte na composição ou no estilo. Gélio soube escolher, sendo sua obra um repositório de informações curiosas sobre história, direito, arqueologia, gramática e sobre toda a Antiguidade. Por outro lado, não é o autor um mero compilador, pois julga, aprecia, raciocina, possui ideias substanciais e se revela um homem de gosto.
Paulo Barbosa.


quarta-feira, 18 de maio de 2011

LITERATURA LATINA (LXXVIII): PERÍODO PÓS-CLÁSSICO - OS SÁBIOS [3ª PARTE]

OS SÁBIOS

SEXTO JÚLIO FRONTINO


FRONTINO, pretor em 70 d.C., cônsul várias vezes e governador da Grã-Bretanha, onde se tornou célebre pelas qualidades militares, segundo registrou Tácito. Em 97 exerceu o cargo de curator aquarum, ou seja, era o encarregado das águas de Roma, mostrando nesta função grande atividade e acentuado espírito prático. Hoje ainda se conservam duas obras dele, escritas em estilo despretensioso, claro e muito preciso, que deixa transparecer o homem de ação que era:

1. STRATAGEMATA, breves narrativas de ardis empregados pelos generais romanos e estrangeiros na guerra. É uma obra de bastante utilidade para o estudo da arte militar antiga, pois, ainda em nossos dias, muitos desses ardis ainda estão em uso nas guerras e conflitos.

2. DE AQUIS URBIS ROMAE, pequena obra, mas muito instrutiva, que trata dos aquedutos romanos, sua construção e conservação, a qualidade das diversas águas, a distribuição aos particulares, as fraudes e maneiras de reprimí-las, etc.

Aqueduto romano
Paulo Barbosa.

terça-feira, 17 de maio de 2011

LITERATURA LATINA (LXXVII): PERÍODO PÓS-CLÁSSICO - OS SÁBIOS [2ª PARTE]

OS SÁBIOS

LÚCIO JÚNIO MODERADO COLUMELA


COLUMELA, contemporâneo de Séneca, nasceu em Cádis (a grafia Cadiz é errada em português) e durante muito tempo viveu na Itália dedicando-se com muito zelo à agricultura. Compôs um tratado chamado DE RE RUSTICA, em doze livros. Neste, trata sobre fazenda, mostrando como deve ser ocupado os escravos, acerca das construções que deve possuir, etc; sobre os campos; sobre a vinha; sobre as árvores frutíferas; sobre o gado grosso - boi, cavalo, mula; sobre o gado miúdo - ovelha, cabra, porco, etc.; sobre o quintal; sobre as abelhas; sobre as hortas; sobre diversas receitas.

Antes de compor esta obra de fôlego, Columela havia escrito outra mais curta sobre o mesmo assunto, da qual nos resta ainda o livro II, intitulado DE ARBORIBUS, correspondente aos livros III-V do tratado completo.

APRECIAÇÃO E ESTILO

O De re rustica é uma obra muito preciosa, prática e composta em estilo simples e claro. É o mais completo tratado sobre agricultura que nos chegou da Antiguidade e pode mesmo servir com proveito para auxiliar na hermenêutica das Geórgicas de Virgílio.
Paulo Barbosa.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

LITERATURA LATINA (LXXVI): PERÍODO PÓS-CLÁSSICO - OS SÁBIOS [1ª PARTE]

Muitos homens eruditos apareceram neste período da história, uns tratando sobre medicina e pedagogia, outros sobre agricultura, geografia e estratagemas militares, enquanto outros sobre assuntos gerais. Dentre estes podemos destacar:

AULO CORNÉLIO CELSO


CELSO, viveu em fins do reinado de Tibério (nascido em 42 a.C.e morto em 37 d.C.). É autor de uma ENCICLOPÉDIA de que nos resta a parte que se refere à medicina, a série de recomendações curiosas sobre higiene, alimentos, sangrias, purgantes, remédios, pílulas e emplastros, meios de curar luxações e fraturas, etc.

Apesar de alguns críticos ter pensado outrora que esta obra de Celso era uma tradução ou adaptação de alguma outra obra grega, nada nos autoriza a supor isso hoje em dia.

ESTILO

O estilo de Celso é correto e bastante elegante, a ponto de ter sido cognominado de "o Cícero da Medicina".


POMPÔNIO MELA



POMPÔNIO MELA, espanhol que viveu provavelmente sob Calígula ou Cláudio, escreveu a obra DE CHOROGRAPHIA LIBRI III, o mais antigo tratado de geografia que possuímos.
Paulo Barbosa.

sábado, 14 de maio de 2011

LITERATURA LATINA (LXXV): PERÍODO PÓS-CLÁSSICO - JURISCONSULTOS

JURISCONSULTOS

Dentre os versados em leis do Império Romano, sobressaíram os dois seguintes:

SÁLVIO JULIANO


SÁLVIO JULIANO, do século II d.C., foi o compilador do EDICTUM PERPETUUM, codificação dos editos dos pretores, aprovados oficialmente pelo Senado. Este edito salviano padronizou-se e por isso foi usado, a partir de então, por todos os subsequentes pretores.

GAIO

GAIO, do II século depois de Cristo. Compôs um livro de INSTITUTIONES destinado ao ensino, onde encontra-se noções essenciais de introdução ao direito. Esta obra foi conservada principalmente por um palimpsesto de Verona.
Paulo Barbosa.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

LITERATURA LATINA (LXXIV): PERÍODO PÓS-CLÁSSICO - A FILOSOFIA EM ROMA [4ª PARTE]

A FILOSOFIA EM ROMA

SÊNECA


A morte de Sêneca
APRECIAÇÃO E ESTILO

Tácito disse muito bem de Sêneca: "Fuit illi viro ingenium amoenum et temporis eius auribus accommodatum" (Annales, XIII, 3). 

Possui Sêneca talento agradável e fácil, porém muitas vezes sacrificando-o ao mau gosto da época. Seus escritos em prosa, a maioria das vezes, desenvolvem lugares comuns da moral estóica, filosofia que seguia e se fazia arauto. Seu estilo revela que fora influenciado pelos declamadores. Procura o autor, e isto é manifesto, ser agudo e engenhoso, e de fato, consegue mais de uma vez. Seu fraseado é menos periódico que na época dos grandes clássicos; é cortado, esmiuçado, e cheio de agudezas, ou seja, de sentenças.

As tragédias são frias imitações de modelos gregos e antes exercícios de literato que obras teatrais. Nelas predominam declamações morais, mas o estilo é brilhante e, por vezes, o lirismo é gracioso.

CARÁTER

Sêneca era uma alma nobre, porém fraca. Daí a contradição notada, muitas vezes, entre sua conduta e o estoicismo que seguia e pregava. Elogiou a pobreza em um de seus escritos, mas adquiriu enorme fortuna. Segundo teoria sua, nada seria capaz de tirar a felicidade ao sábio e, contudo, o exílio foi mais forte que ele: para obter volta, desceu a lisonjas indignas. Sob Nero, curvou-se ainda mais. Entretanto, teve belos rasgos de coragem em alguns momentos.
Paulo Barbosa

quarta-feira, 11 de maio de 2011

CONGRESSO UERJ - IMAGENS E MIRAGENS, A INSTÂNCIA DO OLHAR NA ANTIGUIDADE CLÁSSICA E ORIENTAL [3º DIA]

Hoje o Congresso abriu às 9:00 h com uma mesa-redonda sobre "Um Olhar Amoroso", pela Profa. Dra. Arlete Mota, mestra em língua latina na UFRJ. O debatedor foi o Prof. Dr. Amós Coêlho da Silva. O encerramento ocorreu por volta das 11:00. 

[A falta de fotos do evento é devida à minha ausência na palestra por estar lecionando língua latina no momento].

11:30 deu-se início à Conferência "Os olhos são, no amor, os guias", com o ilustre Prof. Dr. Carlos André Ascenso, da Universidade de Coimbra, Portugal. Foi considerado nesta excelente que os poetas de amor latinos mantêm com o olhar uma relação complexa e pouco uniforme. Citado foi Propércio, para quem o olhar é a sede da plenitude do amor, rejeitando, por isso o excesso com que a mulher costuma se ornar. Esse excesso ornamental, para o poeta latino, leva à subversão da beleza que é própria à mulher. Por sua vez, Ovídio, muito mais elaborado e complexo, considera o olhar como instrumento de sedução e a imagem dos amantes deve ser reformada, retocada em função dele. Nesta palestra foi exortado ao público a que leia a poesia de amor latina da maneira como o olhar foi proposto pelo Dr. Carlos.

Prof. Dr. Carlos André Ascenso
Profs. Amós, Márcio e Carlos Ascenso
Auditório atento 
Profa. Christiane interagindo
O ilustre prof. respondendo
Na agradável companhia...
Paulo Barbosa.

LITERATURA LATINA (LXXIII): PERÍODO PÓS-CLÁSSICO - A FILOSOFIA EM ROMA [3ª PARTE]

A FILOSOFIA EM ROMA

SÊNECA

OBRAS PERDIDAS




Além das obras senequianas já enumeradas aqui, chegaram-nos notícias indiretas de mais outras 17 obras que se perderam:

1DISCURSOS

2.CARTAS.

3DE VITA PATRIS

4VIDA DE MESSALINA.

5DE SITU INDIAE.

6DE SITU ET SACRIS AEGYPTIORUM.

7MORALIS PHILOSOPHIAE LIBRI.

8DE OFICIIS.

9EXHORTATIONES.

10DE IMMATURA MORTE.

11DE SUPERSTITIONE.

12DE MATRIMONIO.

13QUOMODO AMICITIA CONTINENDA SIT.

14DE MOTU TERRARUM.

15DE LAPIDUM NATURA.

16DE PISCIUM NATURA.

17DE FORMA MUNDI.

OBRAS APÓCRIFAS

Muitas obras foram atribuídas a Sêneca na Idade Média, como por exemplo, tratados morais e florilégios de sentenças, que demonstram a grande popularidade de que então este filósofo gozou. Destas obras, porém, umas são apócrifas, outras se prendem a obras desaparecidas de Sêneca:

1. CATORZE CARTAS APÓCRIFAS AO APÓSTOLO SÃO PAULO. Estas cartas foram publicadas por F. Haase, em Leipzig, Teubner, a partir de 1852.


2. DE QUATTUOR VIRTUTIBUS CARDINALIBUS, publicado também por Haase.


3. FORMULA VITAE HONESTAE. Esta obra parece ser de autoria de Martinho de Braga, santo, falecido em 580.


4. AD GALLIONEM FRATREM DE REMEDIIS FORTUITORUM. Parece ser um extrato de uma obra perdida.


5. DE COPIA VERBORUM. É uma parte do De Quattuor Virtutibus e sentenças das cartas a Lucílio.


6. MONITA.


7. SENTENTIAE RUFI ou seria melhor SENTENTIAE AD RUFUM ou ainda RUFO MISSAE.


8. SENECA PROVERBIA


9. NOTAE SENECAE. São seis abreviaturas estenográficas.


10. LIBER DE MORIBUS. Provavelmente este livro procede dos Monita quando estes estavam completos. O Concílio de Tours, celebrado em 567, cita as sentenças 35-36 atribuindo-as a Sêneca. Lacunas de Publílio Siro foram preenchidas com sentenças do Liber de Moribus. Este livro também, no correr do século XVI, foi atribuído, mas sem fundamento, a Martinho de Braga.
Paulo Barbosa.

terça-feira, 10 de maio de 2011

CONGRESSO UERJ - IMAGENS E MIRAGENS, A INSTÂNCIA DO OLHAR NA ANTIGUIDADE CLÁSSICA E ORIENTAL [2º DIA]

No segundo dia do Congresso na UERJ, os eventos começaram às 9:30 com a mesa-redonda sobre"Formas do Lirismo Clássico", com a Profa. Dra. Teresa Virgínia Barbosa, da UFMG e o Prof. Dr. Fábio Lessa, da UFRJ. O mediador foi o Prof. Marco Antônio.

Profa. Dra.Teresa
Prof. Dr. Fábio Lessa
Prof. Amós interagindo 
Com a ilustre professora 

11:30 teve início à palestra da Profa. Dra. Michele de Sá com o tema "O trabalho dos imigrantes japoneses em Parintins: um estudo sobre os boletins do Instituto Amazônia". Michele é professora de latim formada pela UERJ e especializada em imigração japonesa no Brasil. Leciona atualmente na UFRJ.

Profa.  Dra. Michele

As mestras da Cultura Japonesa da UERJ

Na agradável companhia de Michele
Das 17 às 18 ocorreu um bate-papo com as professoras Christiane Monteiro e Alessandra Veigas sobre "Comunicações". Christiane é professora da UERJ, especialista em língua latina e Alessandra, professora da UERJ, especialista em História Comparada.

Profas. Christiane e Alessandra


Com as eruditas professoras
As 17:30 começou mais uma palestra dividida em duas partes, oficiada pelos professores Dr. Matheus Trevisan, da UFMG, professor de língua e literatura latina e a professora Dra. Katia de Azevedo, mestra em língua latina, especialista em Catulo. A Profa. Katia discorreu sobre "O discidium na elegia catuliana" e o Dr. Matheus sobre "Recursos cômicos e de humor no livro III do De re rustica de Varrão de Reate".








Finalizando o segundo do dia do Congresso, o Prof. Dr. Jacyntho Lins Brandão, mestre de língua grega na UFMG, proferiu a conferência "O romance grego". Os debatedores que o ladearam à mesa foram a Profa. Dra. Márcia da Silva, mestra de língua latina na UERJ; o Prof. Dr. Francisco de Assis, professor de latim renascentista na UERJ e a Profa. Dra. Fernanda Lemos de Lima.

Márcia, Francisco, Jacyntho e Fernanda



E assim se foi mais um dia.

Paulo Barbosa.