sexta-feira, 24 de junho de 2011

A SABEDORIA DO HOMEM PRIMITIVO SEGUNDO O FILÓSOFO VICO

Vico
SABEDORIA POÉTICA, em italiano SAPIENZA POETICA, é o nome que o filósofo italiano Giambattista Vico, do século XVIII, em sua obra Scienza Nuova (Ciência Nova), deu à cultura dos povos primitivos, cultura esta que tinha por base mais a sensibilidade do que a inteligência. Pontificou Vico que "A Sabedoria poética, que foi a primeira Sabedoria dos gentios, teve que começar de uma metafísica não racional e abstrata, como a dos doutos de hoje, mas sentida e imaginada, que devia ser a daqueles primeiros homens, assim como eram eles, de nenhum raciocínio mas de sentidos robustos e vigorosíssimas fantasias".

As disciplinas de que constavam a Sabedoria poética, segundo Vico, eram a Lógica poética, a Moral poética, a Economia poética, a Astronomia poética, a Cosmografia poética, a Astronomia poética, a Cronologia poética e a Geografia poética. Quer dizer, o homem primitivo possuía, mesmo que poeticamente, conhecimento de todos estes ramos do saber universal.
Paulo Barbosa.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A NAVALHA DE OCCAM E A ANTI-NAVALHA


A NAVALHA DE OCCAM, denominada também de PRINCÍPIO DA PARCIMÔNIA, é um princípio metodológico que convida ao estudioso a imbuir-se de uma tendência que vise à simplicidade na formulação de suas teorias. Este princípio é já encontrado em Aristóteles, quando ensina que "não se devem multiplicar os entes além do necessário". É, todavia, associado a William Ockham, embora nunca tenha proposto o princípio com esta versão, mas talvez por ter sido a marca ou o espírito das suas conclusões filosóficas.

Os adversários, discordando da parcimônia, ou do seu uso exagerado, propuseram o princípio da "ANTI-NAVALHA", que é formulado assim: "Se não for suficiente um número menor de entes, postule mais".
Paulo Barbosa.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

ORFISMO: SEITA FILOSÓFICO-RELIGIOSA GREGA

Orfeu
O ORFISMO consistiu num movimento religioso da Grécia antiga que, tudo indica, tenha sido influenciado por Platão e por alguns dos pré-socráticos. Não sem sabe bem acerca nem da natureza do movimento nem do âmbito de sua influência. Antigos documentos e até estudiosos modernos tendem a confundir o orfismo com o pitagorismo e os antigos cultos de mistérios, especialmente os de Baco ou dionisíacos. Verdade que esta escola filosófico-religiosa influenciou sim a Pitágoras, como a Empédocles e Platão, mas não deve se confundir um movimento com outro. São atribuídos a origem destas doutrinas a Orfeu, figura mítica antiga, que teria sido o autor dos "Poemas órficos", que circulavam já em meados do século VI a.C. Hoje se possui apenas evidências indiretas de tais poemas. O que se possui em nossos dias é um corpo considerável de fragmentos de poemas compostos na antiguidade tardia.

O tema central dos poemas órficos, seja os antigos, seja os tardios, é uma narrativa teogônica e cosmogônica que coloca como ente primordial a Noite, dando também grande ênfase ao nascimento, morte mediante desmembramento e ressurreição do deus Dioniso. 

Platão nos traz provas da existência, em seu tempo, de mestres religiosos que vagavam por todas as partes, ensinando rituais iniciáticos e purificatórios aos que a eles achegavam-se e, desta maneira, assegurando para si os favores divinos nesta e na futura vida.

A crença fundamental de tal sistema religioso grego era que a vida aqui na terra é apenas uma etapa preparatória para um vida mais elevada, que pode ser adquirida mediante ritos e cerimônias de purificação.
Paulo Barbosa.

terça-feira, 21 de junho de 2011

O BEM E SUAS ESPÉCIES

É normal que o ser humano, ao agir, busque um bem, seja este real ou, até mesmo, aparente. O bem aparente é aquele que para o sujeito parece ser bom, embora na verdade não o seja. Ensina a Filosofia que ninguém age visando o mal em si e por si, mas unicamente na medida em que ao mal se prende um qualquer bem. Desta maneira, o próprio suicida, ao desejar e buscar a morte, deseja e busca algo que no momento lhe parece ser um bem, como por exemplo, o repouso ou a cessação da luta.

Os filósofos fazem, entretanto, distinção no bem, ou seja, o bem possui três modalidades, podendo ser honesto, deleitoso e útil.

O bem honesto é tudo aquilo que se conforma com as leis ou normas da razão e da moralidade autêntica. Possui em si mesmo a apeticibilidade e é manifestado ao homem no seu íntimo pelos ditames da consciência. Exemplo desta espécie de bem é a virtude.

O bem deleitoso é o objeto que dá satisfação, deleite às inclinações sensuais e intelectuais do indivíduo, seja homem ou animal, e, de certa forma, se destina a saciá-las, como por exemplo, o estudo para o homem.

O bem útil é aquilo que serve de meio ou instrumento para se alcançar um fim determinado, como, por exemplo, um remédio amargo que se destina à consecução da saúde.

Feita esta distinção, não resta dúvida que o homem, ao agir, o deve fazer em vista do bem honesto para que sua ação seja moralmente boa.

No que se refere aos bens úteis, claro está que por sua mesma natureza são orientados para outro objeto ou para um fim ulterior. É este objeto ulterior buscado que definirá ou dará a malícia ou a bondade do bem útil, ou seja, se o fim último almejado for realmente um bem, o meio para alcançá-lo é também racionalmente ou moralmente bom; caso contrário, se o fim último for mau, o meio empregado para conseguí-lo será moralmente mau.

Quanto ao bem deleitoso ou bens deleitosos, podem estes ser direcionados ou encaminhados para um fim ulterior, como também podem não o ser, e neste último caso, são visados em si e por si mesmos. A pessoa, então, neste caso, busca o prazer pelo prazer. Ora, aí surge a questão se é lícito agir tendo em vista unicamente o gozo ou o prazer. A Filosofia, e sobretudo a Ética, ensina taxativamente que nunca se é permitido agir por causa de um prazer desonesto, contrário à razão e à moral. 

Quanto a agir em vista de um prazer honesto, agir apenas por causa deste prazer, também a Ética ensina que não é suficiente para justificar a atividade humana. E a razão disto é que o prazer é algo que está anexado a certas atividades ou ações humanas com a finalidade de as estimular e facilitar, e por este motivo, o prazer não é absoluto, não pode ser moralmente visado em si mesmo independentemente da finalidade do ato ao qual está anexado. Somente dentro da perspectiva de uma finalidade ulterior é que pode o prazer ser desejado legitimamente. O homem que optasse por agir unicamente somente pelo prazer, estaria transformando algo que é meio em um fim, o que é secundário em principal, e por conseguinte, inverteria a ordem dos valores estabelecidos na natureza. Agiria, pois, mal, em desconformidade com a razão.

O que foi dito acima, porém, não significa que alguém, ao agir, deva excluir todo desejo de prazer. Claro que uma pessoa pode licitamente aspirar ao deleite que está anexo a determinada função da natureza, mas desde que considere e deseje esse deleite ou prazer como fim intermediário, subordinado a um fim ulterior honesto. O erro ou o mal só começa quando o homem faz do deleite o fim ou o objetivo em última análise visado pelo seu ato. É tanto um mal isto, que basta pensar que o homem que assim age, se animaliza, isto é, se adequa, iguala aos animais que ao agirem só o fazem em vista do deleite, do bem que lhe causa prazer. 

Na hierarquia dos bens, portanto, o bem honesto está no píncaro, e a ele se devem dirigir os dois outros bens, o útil e o deleitoso, para que seja conservada a harmonia vigente no Mundo.

Paulo Barbosa.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A VIDA SINTÉTICA É POSSÍVEL?


Até hoje a Ciência pesquisa acerca da origem da vida, mas nada pode ser afirmado como definitivo. 

Acontece, porém, que os cientistas mundo afora esforçam-se por produzir a vida em laboratório, e em 2010 foi mesmo noticiado que pela primeira vez conseguiram este intento, liderado pelo cientista norte-americano Creig Venter [Confira: http://www.novabrasilfm.com.br/noticias/nova-brasil-informa/cientistas-produzem-vida-sintetica-em-laboratorio/].

Admitido, então, o fato da criação de vida 'sintética' em laboratório, o que a Filosofia terá a dizer? Em princípio, nada mudará nas concepções filosóficas e, podemos afirmar, nem mesmo na religiosa dos cristãos. Vejamos:

A Filosofia ensina haver três graus de vida: o grau vegetativo (na planta); o grau sensitivo (no animal infra-humano) e o grau intelectivo (no ser humano).

Feita esta distinção, ensina a Filosofia Perene que a vida vegetativa, ou seja, a da planta, e a vida sensitiva, isto é, a do animal irracional, dependem de um princípio vital material, ou seja, estes graus de vida possuem princípio vital ou alma material. Quanto à vida intelectiva, ou seja, a vida do homem, esta depende de um princípio vital não material, mas espiritual, que é chamado alma intelectiva ou alma humana. Já Aristóteles dizia ser a alma humana divina, ou seja, de origem divina. Esta alma humana transcende a matéria no seu modo de agir e por esse motivo não pode originar-se dela, da matéria.

Sendo assim, não existe dificuldade alguma em se admitir que tanto a vida vegetativa quanto a vida sensitiva sejam produzidas artificialmente em laboratório. Como vimos, as funções vegetativas e sensitivas não transcendem o setor da matéria, e podem portanto, ser mero produto de reações físico-química. A vida intelectiva, entretanto, nunca poderá ser obtida em tudo de ensaio mediante reações de elementos materiais, pois ultrapassa as faculdades da matéria. Numa hipótese bastante otimista, os cientistas poderiam produzir sinteticamente e de modo perfeito um corpo ou embrião 'humano' inanimado, num tubo de ensaio, mas nunca poderão infundir neste o princípio vital intelectivo, a alma espiritual.

Infere-se disto também, para os religiosos, que nenhuma oposição há ou haverá entre produção de vida vegetativa e sensitiva em laboratório e existência de Deus.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

MECANICISMO E VITALISMO: DUAS CORRENTES ANTAGÔNICAS NA EXPLICAÇÃO DA VIDA

O fenômeno da vida nos organismos são explicados por duas correntes filosóficas que analisaremos aqui sucintamente, a saber, o mecanicismo e o vitalismo.

A corrente MECANICISTA foi professada pelos atomistas gregos antigos, como Leucipo e Demócrito; por Descartes (século XVII) e no século XX por Le Dantec, Rostand e outros. Esta filosofia ensina que as manifestações da vida nada mais são do que reações físico-químicas muito complexas. Um organismo vivo, então, não se diferencia de uma máquina (e daí vem o nome do sistema: mecanicismo, de mecané, grego, que significa máquina), ou melhor, a única diferenciação de um organismo para uma máquina seria a complexidade de suas partes componentes e das atividade que estas desempenham. Para confirmar esta tese, tais filósofos tomam por base o fato de que os fenômenos vitais, enfocados em suas fases particulares, são fenômenos físico-químicos, podendo, portanto, serem favorecidos ou impedidos por agentes físicos e químicos. Acrescentam ainda que nunca se encontrou em um ser vivo alguma entidade que não fosse física ou química.

Um episódio que ilustra bem a mentalidade mecanicista, isto é, a do animal irracional ser uma mera máquina, é o filósofo francês Malebranche (+ 1715) ter chutatado brutalmente sua cadela e após sorrir dizendo: "É um relógio mais sutil e tolerante do que os outros; late, como o pássaro de madeira canta nos relógios suíços; mas nada sente. Felizmente! Pois, se os animais sofressem, inocentes como são, a justiça de Deus não estaria comprometida?".

O mecanicismo malebrancheano atingia apenas os animais irracionais e as plantas.

Aristóteles
Oposta a esta corrente filosófica, existe a corrente do VITALISMO, que ensina serem os fenômenos da vida não apenas uma processo físico-químico, portanto, reduzido a forças mecânicas apenas, mas que se deve admitir em todo ser vivo um princípio específico responsável pelas reações vitais do organismo. Este princípio específico é a alma, sendo esta na planta princípio vegetativo - daí ser chamada alma vegetativa -, nos organismos vivos irracionais, princípio sensitivo - daí ser denominada alma sensitiva -, e no homem, alma intelectiva ou racional, por ter capacidade de conceber seres imateriais e abstratos.

O vitalismo tem sido, desde a Antiguidade, professado por diversas escolas, principalmente pelo filósofo grego Aristóteles e sua escola, o aristotelismo. Nos tempos modernos, apesar de ter sido influenciado grandemente pelo mecanicismo, o vitalismo encontrou novos discípulos que foram conhecidos como "neovitalistas", dentre os quais destacaram-se Buffon, De Lamarck, Pasteur, Von Hartmann, Reinke, Driesch, Grassi, Carrel, etc.
Paulo Barbosa.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

EUTRAPELIA: VIRTUDE REGULADORA DA BRINCADEIRA


É direito natural do homem se recrear e repousar, da mesma maneira que se tem direito a se alimentar. O recreio, a brincadeira, até certo ponto, constituem fatores de conservação do indivíduo, dada a limitação das forças humanas e a necessidade de as restaurar mediante a interrupção do trabalho. Ora, um dos elementos que recreia, que distrai mais condizente com a autêntica dignidade humana é o cultivo da arte. Esta emancipa o homem das preocupações materiais e do afã utilitarista, colocando-o em contato com o Belo e com os valores do espírito, permitindo-lhe, destarte, uma vida mais intensa como homem e um pouco menos como máquina.

Para que a arte, todavia, cumpra o objetivo de emancipar o homem da faina diária elevando-o até a Beleza, deve ela servir à nobreza espiritual da criatura racional e não aviltá-la, como, por exemplo, desencadeando as paixões mais baixas da natureza, renunciando, desta maneira, a fomentar e edificar a grandeza do homem.

Os filósofos antigos, dentre os quais Santo Tomás de Aquino, ensinaram existir uma virtude própria que tem como objetivo submeter ao controle da razão todos os divertimentos do homem. Esta virtude é a EUTRAPELIA, palavra grega que significa "disposição acerca dos prazeres graciosos ou nobre".

A eutrapelia, portanto, é a virtude natural que visa regular o comportamento humano no referente às recreações, às brincadeiras, preceituando que nunca o homem deve se entregar totalmente ao gozo das coisas sensíveis, mas que tem de subordiná-los sempre aos prazeres mais elevados e nobres, os do espírito, que têm como meta levar a criatura a aderir ao Sumo Prazer, ao Sumo Bem. É a este Sumo Bem que, mediante o cultivo ou a aplicação dos sentidos à beleza finita, que se deve chegar. É para melhor conhecê-lo e amá-lo que o homem deve servir-se dos recreios que as criaturas lhe proporcionam.
Paulo Barbosa.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

MOMENTO DA INFUSÃO DA ALMA RACIONAL NO EMBRIÃO


Quanto ao momento em que a alma é infundida ou penetra no embrião, os sábios da Antiguidade eram de parecer que havia um certo intervalo entre a fecundação do óvulo e o aparecimento da alma racional. 

HIPÓCRATES, do século IV a.C., famoso médico grego, por exemplo, ensinava que a alma só era imersa no corpo após trinta dias depois da fecundação.

ARISTÓTELES (+ 322 a.C.), por sua vez, opinava que o feto masculino recebia a alma racional somente após quarenta dias em que a fecundação fora realizada, enquanto para o feto feminino admitia um intervalo de oitenta dias. Este julgamento aristotélico era devido a não haver nas primeiras semanas após a concepção a necessária organização celular para constituir o corpo humano, sede da alma racional. Então, acreditava que durante certo tempo o feto só possuía organização e atividades de vida vegetativa - nutrição e crescimento -, e por isso era apenas atribuído ao feto a presença de um princípio vital meramente vegetativo. Em seguida, o Filósofo julgava haver no embrião organização e movimentos espontâneos característicos da vida sensitiva, atribuídos, consequentemente, a um novo princípio vital, a alma sensitiva, originada da anterior. Somente após estas fases é que Aristóteles professa haver no feto a organização típica do corpo humano, no qual pode viver uma alma intelectiva ou racional.

Hoje em dia, porém, com o progresso da fisiologia, a filosofia admite que desde a concepção há no embrião  a organização própria de um vivente humano, o quer dizer que, desde a fecundação o novo ser é dotado de alma racional. É ponto incontroverso que as faculdades racionais ou intelectivas só se podem manifestar após os órgãos da vida sensitiva atingirem certo desenvolvimento, pois a alma intelectiva, embora não seja material, depende da matéria ou das faculdades sensitivas para colher as primeiras notícias que a inteligência irá elaborar e delas abstrair as noções universais, as definições.

Daí também se conclui que a alma racional tendo funções que ultrapassam as faculdades físicas, corpóreas, não podem estas provirem da matéria, pois "o menos perfeito não pode por si produzir o mais perfeito". Até aqui a razão humana.  A fé, porém, indo mais além, ensina que é Deus quem cria e infunde diretamente a alma no embrião no momento da fecundação.

Outra consequência extraída do acima visto, é que havendo vida humana desde o primeiro momento da concepção, o aborto direto é sempre crime repugnável e hediondo, pois é um infanticídio, mesmo sendo praticado nos primeiros tempos da gestação. Não se pode mais distinguir, como outrora, entre feto animado e feto inanimado, e mesmo na Idade Média, quando as ideias de Aristóteles eram adotadas e seguidas, os filósofos retos condenavam o aborto em qualquer época que fosse efetuado.
Paulo Barbosa.

terça-feira, 14 de junho de 2011

A EVOLUÇÃO PERANTE A FILOSOFIA PERENE

No princípio Deus criou...

Retornando a assunto já tratado neste espaço, a EVOLUÇÃO, devemos reafirmar que a filosofia perene - e até mesmo a fé revelada - não colocam óbices ou dificuldades em admitir a evolução quanto ao corpo, ou seja, quanto à matéria. O corpo humano, então, pode sim ter provindo de uma matéria inferior em evolução, e este fato em nada depõe contra a criação ex nihilo por Deus in principio.

O que a razão humana não pode aceitar é que, possuindo a criatura humana uma alma espiritual, isto é, independente da matéria, possa esta surgir pelo mecanismo da evolução. O espírito não possui nada em si de material e, por isso, racionalmente é impossível que seja matéria evoluída, desdobrada. Até aqui vai a razão filosófica. 

A fé, por seu turno, aceitando as verdades reveladas por Deus e propostas pela Igreja Católica, indo mais além, ensina que a alma espiritual tem de ser criada diretamente por Deus, uma a uma, e infundida à matéria orgânica que, mediante a evolução, está já apta a recebê-la. Este mesmo raciocínio pode ser aplicado ao primeiro casal, caso tenha a tese monogenista fundamento. Os primeiros pais da humanidade podem ter surgido quanto ao corpo mediante evolução de matéria menos evoluída, e chegando ao estágio corpóreo apto a receber alma humana, esta fora criada por Deus e infundida em ambos. Isto significa que antes da infusão da alma, eram animais irracionais, não humanos e após a infusão, seres plenamente humanos, não havendo, portanto, elo algum perdido de transição entre o infra-humano e o humano.

Deixemos, pois, de teorias arcaicas e de non-sense, por aferrarmos-nos a elucubrações sombrias e desprovidas de lucidez de homens bons e honestos, com certeza, e até mesmo de papas, mas desprovidos de aparatos adequados para a elucidação do problema evolucionista. A coisa é bem mais simples e a honestidade intelectual nos adverte que não devemos multiplicar questões naquilo que pode ser resolvido pelo princípio da parcimônia.
Paulo Barbosa.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

EUTANÁSIA E SUICÍDIO: HISTÓRIA E POSIÇÃO MORAL


A eutanásia é a arte de promover a morte de maneira indolor e branda. Cientificamente, é o sistema de supressão da vida mediante medicamentos e recursos suavizantes a quem esteja sofrendo doença incurável e profundamente aflitiva. Quanto ao suicídio, todos sabemos que consiste em dar cabo à própria vida.

Na História, encontramos estas práticas, sobretudo a eutanásia, entre os povos primitivos, em tribos nômades que, tendo de emigrar, sem poder, contudo, levar consigo os membros enfermos do clã, preferiam exterminar a vida destes a deixá-los entregues às intempéries do clima ou à vingança de inimigos.

No mundo civilizado da Antiguidade, registra-se o caso de Esparta, onde ao nascerem, as crianças anormais ou aleijadas eram eliminadas.

Entre os filósofos romanos, dividiram-se nesta questão Cícero e Sêneca. O primeiro (+ 43 a.C.), afirmava ser ilícito ao homem dar fim à sua vida sem o mandato explícito de Deus que a concedeu. Assim, no De Senectute 20, diz:

"A maneira mais bela de morrer é com a inteligência intacta e os sentidos despertos; deixar a natureza desfazer lentamente o que ela fez".

Mais adiante, assevera:

"Pitágoras proíbe que abandonemos o nosso posto - ou seja, a vida - sem a ordem formal do Comandante-em-chefe que no-la deu, ou seja, Deus".

O Filósofo Sêneca, pelo contrário, (+ 66 d.C.), seguidor do estoicismo, dentre os filósofos greco-romanos, defendeu o suicídio, e por conseguinte, a eutanásia. Expressou-se nos seguintes termos:

"Somente por causa da morte a vida não é uma punição. Debaixo dos caprichos e das vicissitudes da fortuna, posso conservar minha cabeça ereta. É que tenho alguém a quem posso recorrer.


Vejo diante de mim cruzes de muitas formas. Vejo diante de mim instrumentos de tortura que podem ser adaptados a cada membro, a cada músculo, a cada nervo de meu corpo. Mas vejo também a morte. Ela me protege dos meus selvagens inimigos e dos meus orgulhosos concidadãos. A escravidão mesma perde sua amargura, quando, com um simples passo, eu posso conquistar a liberdade. Contra todos os assaltos da vida, eu tenho o refúgio da morte.

E, se posso escolher entre uma morte de tortura e uma morte boa e frágil, porque não escolherei esta? Assim como escolho o navio no qual viajarei ou a casa na qual habitarei, assim escolherei a morte pela qual deixarei a vida. O homem deve procurar a aprovação dos outros nos negócios da vida; sua morte é assunto seu.

A lei eterna nada decretou de melhor que isso: que a vida tenha uma só entrada, mas muitas saídas. Porque sofrerei as agonias da doença e as crueldades da tirania humana, quando posso emancipar-me de todos os tormentos e lançar fora todas as cadeias?

Por uma única razão a vida não é um mal: porque ninguém é obrigado a viver".

Com a chegada do cristianismo, o suicídio, assim como a eutanásia, foram repudiados pelos pensadores ocidentais. Agostinho de Hipona (+ 430), por exemplo, opôs-se a ambas atitudes mostrando que a personagem bíblica Jó, mesmo em meio a penosos sofrimentos, se mostrou paciente e submisso a Deus. 

Na Idade Média era unânime os autores cristãos sentenciarem contrariamente ao 'suicídio' e 'homicídio indolor'.

POSIÇÃO E ARGUMENTO DA MORAL CRISTÃ

A moral cristã veta o suicídio e a eutanásia, argumentando que a vida é dom de Deus e esta foi concedida ao homem para que a conserve e administre em conformidade com a sua vontade, que é sábia. Não sendo, portanto, o homem doador ou autor de sua vida, não lhe compete ser destruidor da mesma.

Complementa ainda o raciocínio moral que as alegrias ou tristezas que alguém possa experimentar ao viver, não são critérios para se avaliar ou aquilatar o valor de sua existência, como também o grau de produtividade ou a capacidade de trabalho da pessoa não podem ser parâmetros para o mesmo. 

Uma vida que humanamente é julgada carente de utilidade, pode possuir plena razão de ser, pois, ensina a moral cristã, a grandeza do homem consiste primariamente em estar submetido à vontade de Deus e executá-la com amor. 

Enfim, tanto o suicídio quanto a eutanásia não passam de expressões de materialismo e hedonismo desbragados, sistemas que pressupõem ser a vida humana justificada somente pelo gozo dos sentidos ou pelo rendimento laboral que o homem pode apresentar.
Paulo Barbosa.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

JOSÉ DE MAISTRE: UMA SINOPSE DE SEU PENSAMENTO


JOSÉ DE MAISTRE (1753-1821) foi um tradicionalista, ou seja, professou a doutrina filosófica que ensina ser necessária ao homem uma revelação primitiva para conhecer não somente as verdades sobrenaturais, mas também as de ordem filosóficas, metafísicas e morais. Nasceu na Sabóia, foi conde e embaixador do rei sardenho. Faleceu em Turim. Dentre várias obras de sua lavra, escreveu Du Pape e Les soirèes de Saint-Pétersbourg. Foi maçon e político, ostentando certo jacobinismo, porém se contrapondo à revolução francesa.

O fator dominante do pensamento maistreano é a ideia da Providência Divina. Segundo De Maistre, a História nada mais é que a caminhada, a marcha da vontade de Deus através dos séculos. 

Em gnosiologia, ou seja, em teoria do conhecimento, professa o saboiano que a fé é a base do saber humano e não a razão. Afirma, então, a incapacidade natural da inteligência humana de acessar a verdade, de conhecê-la, sem o auxílio divino. A razão humana é pervertora das instituições e das leis sociais, segundo seu parecer. No fundo, a verdadeira ciência, é a contemplação do mistério no seio de Deus.
Paulo Barbosa.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A 'PAZ' EM SANTO AGOSTINHO

AGOSTINHO DE HIPONA, na sua grandiosa obra DE CIVITATE DEI, oferece-nos dez conceituações de paz, a saber:

A PAZ DO CORPO: est ordinata temperatura partium, ou seja, é o acordo harmonioso das partes.

A PAZ DA ALMA IRRACIONAL: est ordinata requies appetitionum, ou seja, é o repouso bem regrado dos apetites.

A PAZ DA ALMA RACIONAL: est ordinata cognitionis actionis, isto é, é o acordo bem ordenado do pensamento e da ação.

A PAZ DA ALMA E DO CORPO: est ordinata vita et salus animantis, isto é, é a vida e a saúde do ser animado.

A PAZ DO HOMEM COM DEUS: est ordinata in fide sub aeterna lege oboedientia, ou seja, é a obediência bem ordenada na fé sob a lei eterna.

A PAZ DOS HOMENS: est ordinata concordia, ou seja, é a concórdia bem ordenada.

A PAZ DOMÉSTICA: est ordinata imperandi atque oboediendi concordia civium, isto é, é a concórdia bem ordenada dos cidadãos sob o comando e a obediência no plano doméstico.

A PAZ SOCIAL: est ordinata imperandi atque oboediendi concordia civium, isto é, é a concórdia bem ordenada dos cidadãos no comando e na obediência no plano social.

A PAZ CELESTIAL: est ordinatissima et concordissima societas fruendi Deo et invicem  in Deo, ou seja, é a comunidade perfeita no gozo de Deus e no prazer mútuo em Deus.

A PAZ DE TODAS AS COISAS: é a tranquilidade da ordem, isto é, é a disposição dos seres iguais e desiguais, designando a cada um o lugar que lhe convém.

PAX VOBIS!

Paulo Barbosa.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O ATO: PRINCÍPIO GNOSIOLÓGICO FUNDAMENTAL

Quando a Escolástica professa que o ser é inteligível à medida em que está em ato, quer este axioma dizer que as coisas só podem ser conhecidas à medida em que possuem ser aqui e agora. Somente o ser em ato é ser de maneira absoluta. Pelo contrário, o ser em potência, ou seja, que um dia poderá se atualizar, receber a existência, só é ser relativamente. 

Vê-se, pois, que o conhecimento tem por objeto primeiro e principalmente o ser em ato, e só secundariamente o ser em potência. Este, o ser potencial, aliás, não pode ser conhecido em si mesmo, mas somente por aquilo com relação ao qual está em potência.

Quer também este axioma ensinar que o princípio pelo qual qualquer ser é conhecido é o ato, ou seja, a forma deste ser, isto é, aquilo por que o ser está situado numa determinada espécie.

O ato é, então, o princípio da inteligibilidade.
Paulo Barbosa.

terça-feira, 7 de junho de 2011

O 'EROS' PLATÔNICO, IMPULSO PARA O FILOSOFAR


O EROS em Platão pode ser conceituado como aquele desejo ardente e inquieto da alma humana que a todo momento a incita à busca e posse da Verdade. Na Mitologia, o Amor é um 'demônio' que se interpõe entre os deuses e os homens, filho de Poros e Pênia. Como a mãe, é pobre, indigente, e como o pai, conquistador incansável. Não possui sabedoria nem ignorância, mas é amante insaciável da Sabedoria - Sofia -, e por isso mesmo, é carente de conquistas duradouras e plenas, mas rico de aspirações e desejos.

O Eros comporta vários graus de iniciação nesta busca em direção à Verdade. Há em primeiro plano o amor intelectual 'de um belo corpo' que 'gera belos pensamentos', que é quando a alma compreende as belezas físicas, corpóreas, como meros reflexos de uma única Beleza e assim todas as parcelas do belo são amadas na Beleza, não sendo o homem, desta maneira, escravo de nenhuma delas. Em seguida, compreende que superior ao belo corpo é a alma com sua beleza, e passa, então, a consagrar-se a este amor, tornando verdadeiro amante. Deste, o Eros eleva o homem ao amor das obras geradas no seio do Belo e em seguida, ao amor da Ciência. Por último, o Amor impulsiona o homem a dirigir o olhar para a imensa vastidão do próprio Belo, onde o espírito se alimenta para gerar pensamentos e discursos de uma filosofia de largo horizonte.

No Banquete fica bem claro que Eros, ou o Amor, é carência, falta, pobreza, insuficiência, e ao mesmo tempo, desejo de posse, de conquista. Dirige-se para a beleza que é o prenúncio e a aparência do Bem e rejeita a morte, é avesso à destruição, demonstrando isso pelo instinto de gerar. Nas escalada ascensional, parte desde a beleza sensível dos corpos que geram belos pensamentos até à beleza da Sapiência, a mais elevada de todas e cujo amor, ou seja, a Filosofia, é, por isso mesmo, o mais nobre.
Paulo Barbosa.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O NECESSÁRIO RETORNO AO FILOSOFAR

Após divagar por muitas e muitas estradas, após refletir, estudar, pensar, aplicar-se a muitos saberes, é necessário retornar ao ponto central donde o homem extrai não conhecimentos particularizados sobre este o aquele pedaço do Universo, sobre esta ou aquela obra, por mais bela e sublime que seja, mas sobre si mesmo, sobre o mundo enquanto tal e sobre Deus, Criador e Fonte de tudo. Este ponto central é  o que se denomina FILOSOFIA. Quer queiramos ou não, consciente ou inconscientemente, desta Senhora, como a chamava Boécio, nunca escaparemos, pois somente neste recinto sagrado de Sabedoria Racional encontra a Humanidade respostas para as questões mais profundas e vitais, questões extremamente humanas que quando não resolvidas lançam o homem na mais profunda dissociação interior, infernizando-lhe seus dias sobre a Terra.

Nada mais apaixona o ser humano do que a solução de problemas como "o que é o homem?", "donde veio?", 'é uma máquina ou possui uma personalidade espiritual?", "morre totalmente ou alguma parte sua permanece?". E mais, "é eterno o mundo?", "é o universo fruto do acaso ou de uma inteligência?", "e a lei do dever é uma ilusão ou realidade?", "é o dever criação dos homens ou expressão da vontade divina?".

Nenhum outro problema apaixona mais o homem que estes, conforme dito acima. E não é mesmo razoável e lícito ao homem lançar-se aos demais misteres sem antes resolver estes que promanam do fundo de sua alma, alma sempre curiosa e aberta ao saber, alma que é capax infiniti. Ser ou não ser, eis o problema de máxima gravidade sobre o qual o intelecto humano deseja e almeja debruçar-se, e antes mesmo prefere o homem abster-se de química, física, biologia, geometria e similares do que debater, aprofundar e resolver essas questões de suma imperiosidade e necessidade até mesmo para o seu equilíbrio psico-físico. "A maior miséria do homem, disse Etienne Lamy, não é a pobreza, nem a doença, nem a morte; é a infelicidade de ignorar porque nasce, sofre e passa" (L'Apostolat).
Paulo Barbosa.

sábado, 4 de junho de 2011

LITERATURA LATINA (XCIII): ÉPOCA PÓS-CLÁSSICA APÓS MARCO AURÉLIO - OS JURISCONSULTOS

FINALIZANDO a Literatura Latina, citaremos dois renomados jurisconsultos do período pós-clássico:

PAPINIANO

Foi prefeito do pretório em 203.

ULPIANO


Nasceu em 150 e morreu 288. Em 222 foi prefeito do pretório. É famosa sua frase: "Tais são os preceitos do direito: viver honestamente, não ofender a ninguém e dar a cada um aquilo que lhe pertence".
Paulo Barbosa.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

LITERATURA LATINA (XCII): ÉPOCA PÓS-CLÁSSICA APÓS MARCO AURÉLIO - OS GRAMÁTICOS

O número de gramáticos no século IV é bem grande. Destes, citaremos aqui os seguintes:

NÔNIO MARCELO

De data indefinida, foi autor de um DE COMPENDIOSA DOCTRINA, onde resume os trabalhos lexicográficos dos autores anteriores. Várias citações de autores arcaicos, hoje desaparecidos, nos foram conservadas por meio desta obra.

CARÍSIO E DIOMEDES

Dois gramáticos que escreveram nos últimos anos do século IV uma ARS GRAMMATICA. As duas obras se parecem muito e por vezes um reproduz ao outro palavra por palavra. Críticos imaginam ter sido Diomedes que copiou Carísio.

ÉLIO DONATO

Foi o mais célebre dentre os gramáticos latinos. Compôs também uma ARS GRAMMATICA, obra usada em toda a Idade Média. Foi autor de um comentário sobre Terêncio e outro sobre Virgílio, sendo que este último está perdido.

MACRÓBIO

Do fim do século IV e início do V. Comentou o "Sonho de Cipião".  Debate em sua obra SATURNAIS, em sete livros, várias questões, cuja maioria são em relação a Virgílio. Demonstra neste ponto grande erudição. O nome do livro é devido a uma série de conferências e debates ocorridos nas festas de Saturno, chamada Saturnais.
Paulo Barbosa.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

LITERATURA LATINA XCI: ÉPOCA PÓS-CLÁSSICA APÓS MARCO AURÉLIO - A HISTORIOGRAFIA [3ª PARTE]

Outros historiadores que se destacaram neste período foram:

JÚLIO OBSEQUENS

Viveu na segunda metade do século IV e foi compositor de OS PRODÍGIOS, excerto de Tito Lívio.

AURÉLIO VÍTOR

Do século IV, autor de um LIBER DE CAESARIBUS.

EUTRÓPIO

Escreveu sob o Imperador Valente (364-378) um compêndio de história romana, o BREVIARIUM, em dez livros.
Paulo Barbosa.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

LITERATURA LATINA (XC): ÉPOCA PÓS-CLÁSSICA APÓS MARCO AURÉLIO - A HISTORIOGRAFIA [2ª PARTE]

A HISTORIOGRAFIA

AMIANO MARCELINO


AMIANO MARCELINO era grego nascido em Antioquia por volta do ano 340. Durante muito tempo serviu no exército romano, deixando depois a vida militar, por volta de 390 e dedicando-se a escrever história. Sua obra, em 31 livros, narra os acontecimentos do ano 96, morte de Domiciano, até 378, morte de Valente. Os treze primeiros livros estão perdidos, e os restantes narram fatos ocorridos de 353 a 378. Em regra geral, a narrativa é precisa e imparcial e o estilo é cuidadosamente ritmado, mas imperfeito, obscuro e afetado. Os discursos dão lugar grande à retórica, discursos esses que pouco valor histórico possuem.
Paulo Barbosa.

terça-feira, 31 de maio de 2011

LITERATURA LATINA (LXXXIX): ÉPOCA PÓS-CLÁSSICA APÓS MARCO AURÉLIO - A HISTORIOGRAFIA [1ª PARTE]

A HISTORIOGRAFIA

HISTÓRIA AUGUSTA

História Augusta
A HISTÓRIA AUGUSTA é uma coleção de biografias dos imperadores desde Adriano até Numério e Carino, ou seja, desde 117 até 284 d.C. Os autores desta coleção são: Élio Esparciano, Júlio Capitolino, Vulcário Galicano, Trebélio Polião, Flávio Vopisco e Lamprídio. Suetônio foi o modelo tomado por estes autores, e como ele, esforçaram-se por juntar episódios curiosos e citam documentos encontrados em arquivos. Entretanto, falta-lhes o talento literário, de maneira que a leitura da obra é um tanto desagradável. Na falta de melhores fontes, todavia, possui grande importância para a história dos séculos II e III.
Paulo Barbosa.