quarta-feira, 20 de julho de 2011

PÉROLA EM VESTIBULAR NO RIO DE JANEIRO

Não resisti, mesmo desviando de nosso propósito, que é cultural, em trazer aos leitores de nosso espaço esta pérola de uma prova de vestibular da UGF do Rio de Janeiro, do ano 2006, ao que parece. Isso mostra o quanto o nível de nossos vestibulandos é pobre, e pobre em coisas prosaicas, do dia a dia. 

Vale do Paraíba

Paulo Barbosa.

terça-feira, 19 de julho de 2011

QUE É O SER PARA HEIDEGGER?


HEIDEGGER foi um pensador metafísico alemão, nascido em 1889, que veio das aras fenomenológicas de Husserls, de quem foi aluno e sucessor na Universidade de Friburgo. Alargou a análise fenomenológica do mestre, não ficando apenas na descrição da essência da consciência internacional e na do Eu. Ele preocupou-se com a existência como existência. São palavras dele no Sein und Zeit, 24,41, nas quais se extrai o cerne de sua filosofia: "O caminho mais seguro para apreender a existência, como existência no seu caráter existencial, é tomar como ponto de partida a existência humana". Deste modo, a única maneira de responder à pergunta: QUE É O SER? para Heidegger, é a interpretação da existência nos seus traços essenciais.

As bases ou fundamentos da reflexão heideggeriana estão nos sentimentos fundamentais, como a preocupação, a solidão, a angústia, sentimentos estes que mostram ou tornam ao próprio homem sua posição entre o 'ser' e o 'nada'.
Paulo Barbosa.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A CULTURA APOLÍNEA E SEU ESPÍRITO

Oráculo de Delfos [ruínas]

CULTURA APOLÍNEA é aquele conjunto de conhecimento que provém dos penetrantes oráculos de Delfos, cidade da Grécia antiga, localizada no sopé do monte Parnaso, hoje inexistente. Este oráculo era dedicado a Apolo e todo ensinamento daí emanado servia de padrão para os famosos sete sábios gregos, que usavam sempre o tom incisivo e tinham por princípio básico que o homem deve conhecer a si mesmo. O que caracterizava tal sabedoria era a meditação ligada ao instinto de conhecer, quer dizer, a cultura da razão dentro de formas esquemáticas.

Esta cultura, segundo Spengler, Decadencia II-249, é qualificada como sendo a alma da cultura antiga. 

O homem cultivado apolineamente é possuidor do espírito apolíneo, aquele que conhece a si mesmo e tem por características marcantes a precisão e o laconismo. Este espírito também corrige o transbordamento fraseológico, fazendo com que a eloquência provenha não da imagem ou do arroubo, mas da precisão que evita todo excesso.
Paulo Barbosa.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

DEUS E O MAL EM PLATÃO E SANTO AGOSTINHO

Platão entendia que Deus não podia deixar de permitir o mal devido à imperfeição que é inerente à criatura, ou seja, o mal é um defeito do ser. Não pode haver um mal absoluto também em Platão, tanto que ele se refere ao 'mal ou um menos bem'. Continua ainda o filósofo dizendo que se Deus impedisse o mal, sua obra não seria mais uma imagem, mas se confundiria com o modelo, o próprio Deus. Na República, proclama Platão ser Deus inocente do mal.

Em Santo Agostinho, o mal é necessário como fundo obscuro em que se salienta e perfeição moral de Deus. Ensina o mestre de Hipona: "Deus, soberanamente bom, jamais permitiria a presença do mal em suas obras, se Ele não fosse de tal forma poderoso e de tal forma bom, que não pudesse converter o próprio mal em bem".
Paulo Barbosa.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A GNOSE COMO FONTE DE FELICIDADE: PLATÃO, ECKART E NIETZSCHE

Platão, no Górgias, ensina que a verdadeira felicidade somente cabe à alma que possui nobreza e harmonia, ou seja, à alma que é cultivada harmonicamente. Esta doutrina platônica, mediante o neoplatonismo, chegou até ao Mestre Eckart, que ensinava ser no conhecimento que a essência do homem  e o próprio homem se completa, alcançando, desta maneira, a felicidade.

Nietzsche, em Genealogie, foi categórico ao afirmar "Ah! como somos felizes, nós que buscamos o conhecimento, desde que saibamos ficar calado longamente!...", e, em Oeuvres, adverte: "Fazem-me o elogio da doce felicidade do conhecimento; eu, porém, não a encontrei. Desprezo-a mesmo, agora que conheço a volúpia do infortúnio do conhecimento".
Paulo Barbosa.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

GÊNIO: QUAL SUA ESSÊNCIA?


O GÊNIO foi definido por Buffon, segundo Littré, como sendo "nada mais do que uma grande paciência". Nesta sintética definição anuncia-se o quanto de trabalho, de labor, de persistência e de segurança custa ao gênio na sua criação, nada podendo ser, em sua obra, fruto da improvisação, do repentino. 

Valery parafraseou Buffon ao exclamar: Gênio, oh longa impaciência, acrescido aqui, todavia, da presença de uma ânsia que se quer libertar, pois a impaciência nada mais é que a liberação prometida. 

D'Holbach, em sua obra Systeme de nature, explicita que o gênio é a "facilidade para apreender o conjunto e as relações nos objetos, vastos, úteis e difíceis de conhecer". 

Wolff, por sua vez, em sua Psycologia empirica, considera que se trata apenas da "facilidade de observar a semelhança das coisas".

Kant, em Jugement, diz ser o gênio "uma inteligência que opera como a natureza", criando suas próprias regras, não de maneira consciente, mas instintiva. 

Shopenhauer, enfim, em Monde, entende que as obras do gênio são aquelas que diretamente procedem da intuição e que se dirigem para ela, ou seja, são as obras das artes plásticas e as da poesia. O gênio é "aquele que contempla um mundo diferente dos demais homens".
Paulo Barbosa.