quarta-feira, 20 de julho de 2011

PÉROLA EM VESTIBULAR NO RIO DE JANEIRO

Não resisti, mesmo desviando de nosso propósito, que é cultural, em trazer aos leitores de nosso espaço esta pérola de uma prova de vestibular da UGF do Rio de Janeiro, do ano 2006, ao que parece. Isso mostra o quanto o nível de nossos vestibulandos é pobre, e pobre em coisas prosaicas, do dia a dia. 

Vale do Paraíba

Paulo Barbosa.

terça-feira, 19 de julho de 2011

QUE É O SER PARA HEIDEGGER?


HEIDEGGER foi um pensador metafísico alemão, nascido em 1889, que veio das aras fenomenológicas de Husserls, de quem foi aluno e sucessor na Universidade de Friburgo. Alargou a análise fenomenológica do mestre, não ficando apenas na descrição da essência da consciência internacional e na do Eu. Ele preocupou-se com a existência como existência. São palavras dele no Sein und Zeit, 24,41, nas quais se extrai o cerne de sua filosofia: "O caminho mais seguro para apreender a existência, como existência no seu caráter existencial, é tomar como ponto de partida a existência humana". Deste modo, a única maneira de responder à pergunta: QUE É O SER? para Heidegger, é a interpretação da existência nos seus traços essenciais.

As bases ou fundamentos da reflexão heideggeriana estão nos sentimentos fundamentais, como a preocupação, a solidão, a angústia, sentimentos estes que mostram ou tornam ao próprio homem sua posição entre o 'ser' e o 'nada'.
Paulo Barbosa.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A CULTURA APOLÍNEA E SEU ESPÍRITO

Oráculo de Delfos [ruínas]

CULTURA APOLÍNEA é aquele conjunto de conhecimento que provém dos penetrantes oráculos de Delfos, cidade da Grécia antiga, localizada no sopé do monte Parnaso, hoje inexistente. Este oráculo era dedicado a Apolo e todo ensinamento daí emanado servia de padrão para os famosos sete sábios gregos, que usavam sempre o tom incisivo e tinham por princípio básico que o homem deve conhecer a si mesmo. O que caracterizava tal sabedoria era a meditação ligada ao instinto de conhecer, quer dizer, a cultura da razão dentro de formas esquemáticas.

Esta cultura, segundo Spengler, Decadencia II-249, é qualificada como sendo a alma da cultura antiga. 

O homem cultivado apolineamente é possuidor do espírito apolíneo, aquele que conhece a si mesmo e tem por características marcantes a precisão e o laconismo. Este espírito também corrige o transbordamento fraseológico, fazendo com que a eloquência provenha não da imagem ou do arroubo, mas da precisão que evita todo excesso.
Paulo Barbosa.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

DEUS E O MAL EM PLATÃO E SANTO AGOSTINHO

Platão entendia que Deus não podia deixar de permitir o mal devido à imperfeição que é inerente à criatura, ou seja, o mal é um defeito do ser. Não pode haver um mal absoluto também em Platão, tanto que ele se refere ao 'mal ou um menos bem'. Continua ainda o filósofo dizendo que se Deus impedisse o mal, sua obra não seria mais uma imagem, mas se confundiria com o modelo, o próprio Deus. Na República, proclama Platão ser Deus inocente do mal.

Em Santo Agostinho, o mal é necessário como fundo obscuro em que se salienta e perfeição moral de Deus. Ensina o mestre de Hipona: "Deus, soberanamente bom, jamais permitiria a presença do mal em suas obras, se Ele não fosse de tal forma poderoso e de tal forma bom, que não pudesse converter o próprio mal em bem".
Paulo Barbosa.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A GNOSE COMO FONTE DE FELICIDADE: PLATÃO, ECKART E NIETZSCHE

Platão, no Górgias, ensina que a verdadeira felicidade somente cabe à alma que possui nobreza e harmonia, ou seja, à alma que é cultivada harmonicamente. Esta doutrina platônica, mediante o neoplatonismo, chegou até ao Mestre Eckart, que ensinava ser no conhecimento que a essência do homem  e o próprio homem se completa, alcançando, desta maneira, a felicidade.

Nietzsche, em Genealogie, foi categórico ao afirmar "Ah! como somos felizes, nós que buscamos o conhecimento, desde que saibamos ficar calado longamente!...", e, em Oeuvres, adverte: "Fazem-me o elogio da doce felicidade do conhecimento; eu, porém, não a encontrei. Desprezo-a mesmo, agora que conheço a volúpia do infortúnio do conhecimento".
Paulo Barbosa.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

GÊNIO: QUAL SUA ESSÊNCIA?


O GÊNIO foi definido por Buffon, segundo Littré, como sendo "nada mais do que uma grande paciência". Nesta sintética definição anuncia-se o quanto de trabalho, de labor, de persistência e de segurança custa ao gênio na sua criação, nada podendo ser, em sua obra, fruto da improvisação, do repentino. 

Valery parafraseou Buffon ao exclamar: Gênio, oh longa impaciência, acrescido aqui, todavia, da presença de uma ânsia que se quer libertar, pois a impaciência nada mais é que a liberação prometida. 

D'Holbach, em sua obra Systeme de nature, explicita que o gênio é a "facilidade para apreender o conjunto e as relações nos objetos, vastos, úteis e difíceis de conhecer". 

Wolff, por sua vez, em sua Psycologia empirica, considera que se trata apenas da "facilidade de observar a semelhança das coisas".

Kant, em Jugement, diz ser o gênio "uma inteligência que opera como a natureza", criando suas próprias regras, não de maneira consciente, mas instintiva. 

Shopenhauer, enfim, em Monde, entende que as obras do gênio são aquelas que diretamente procedem da intuição e que se dirigem para ela, ou seja, são as obras das artes plásticas e as da poesia. O gênio é "aquele que contempla um mundo diferente dos demais homens".
Paulo Barbosa.

terça-feira, 12 de julho de 2011

TEORIA DA IDADE DE OURO


A Antiguidade acreditou na existência de uma civilização cheia de magia fabulosa em que tudo era bom, belo, cheio de felicidade, sem precisão de justiça humana, pois os homens mesmos se coadunavam e viviam de maneira pacata. É o que se denomina a IDADE DE OURO, tão bem descrita por Ovídio em sua obra Metamorfoses. Os pitagóricos acreditavam nesta era áurea e a defendiam como um dos dogmas pertencentes à sua escola.

Demócrito e Políbio eram de pareceres contrários, de que a sociedade primitiva em vez de ter sido de ouro, foi sim decadente, um estado permanente de miséria. Contrariamente a eles e combatendo-os, Possidônio, na sua Filosofia da História, defendeu a teoria da Idade de Ouro, filiando-se, assim, ao pitagorismo.
Paulo Barbosa.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O ANIMAL SIMBOLICUM DE ERNEST CASSIRER

Ernest Cassirer, um judeu emigrado da Alemanha para os Estados Unidos em 1933, autor da obra "O Problema do Conhecimento na Filosofia e na Ciência Moderna" (1906-1920), ensinou ser o homem não um animal racional, conforme a tradição filosófica sempre professara, mas um ANIMAL SIMBOLICUM, o que equivale a afirmar que todo conhecimento humano se efetua através de símbolos: "O mito, a arte, a linguagem, a ciência são sinais que tendem a realizar o ser", segundo ele. É o próprio homem, continua o judeu, que constrói seu próprio universo, e tudo o que o atormenta, o perturba, não são as coisas reais, a realidade, mas as opiniões e fantasias criadas. A linguagem é a expressão das emoções, dos sentimentos e não apenas dos pensamentos.

Por esta pequena exposição, vê-se o quanto este sistema está fechado à metafísica, reduzindo desta maneira a filosofia à mera análise da linguagem.
Paulo Barbosa.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O QUE É O ENTE: NEM SE DEFINE NEM SE DECLARA

Ens nec definiri nec declarari  proprie potest, o ente não pode nem ser definido nem declarado propriamente, não admitindo definição pelo motivo de que toda definição é constituída de gênero e diferença, e o ente não está vinculado nem a um nem a outro. Também não pode ser declarado nada acerca dele, pois a declaração, a verdadeira declaração, é constituída por noções mais conhecidas, e o ente é o mais claro de tudo quanto existe. Em termos de escola, ens est notissimum.

Não podendo o ente nem ser definido, nem declarado propriamente, ao menos, ensinam os metafísicos, pode ser descrito, ou seja, pode ser impropriamente definido. É isso que tentaremos neste artigo.

ENTE vem do latim ENS, que é particípio presente do verbo ESSE. O verbo esse neste caso é tomado como verbo substantivo, significando, pois, o ato de ser ou o existir, e não como cópula ou liame entre sujeito e o predicativo. O particípio, por sua vez, pode tomar dupla forma:

1) como particípio mesmo e então significa alguma coisa que age ou recebe influência de outrem, como por exemplo, studens = aquele que estuda em ato.

2) como nome ou substantivo e então significa aquilo que é assinalado ou denominado sujeito, como por exemplo, studens = aquele ao qual compete estudar, esteja estudando em ato ou não.

Após este excurso, pode-se, então, definir impropriamente o ente:

Enquanto particípio - participialiter - como aquilo que está em ato ou existe.

Enquanto nome - nominaliter - como aquilo a que compete o ser ou aquilo cujo ato é ser.

O ente objeto da metafísica é o nominaliter, ou seja, o tomado nominalmente, que engloba tanto os entes participiais quanto os entes meramente possíveis. Acontece, porém, que nem tudo o que pode existir, de fato existe.

A noção de ente é comuníssima e simplíssima. É comuníssima porque convém a tudo o que existe, e simplíssima porque todas as demais noções são redutíveis à noção de ente.
Paulo Barbosa.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

CARTESIANISMO: DOUTRINAS FUNDAMENTAIS DE DESCARTES

Descartes fez escola, denominada CARTESIANISMO. Esta é definida como o conjunto de doutrinas ou fundamentos considerados como essenciais ou típicos da escola cartesiana e pode ser resumida nos seguintes itens:

1. O cogito é dotado de caráter originário no homem, sujeito pensante, e é também o princípio de todas as outras evidências. A única auto-evidência existente no sujeito cogitante é o cogito.

2. No pensamento está presente as ideias, que são os únicos objetos que podem ser conhecidos imediatamente.

3. A Razão é dotada de caráter universal e absoluto, pois ela parte do cogito e vale-se das ideias, podendo, pois, descobrir todas as verdades possíveis.

4. A experiência tem sua função subordinada à razão, e só é útil para decidir nos casos em que a razão apresenta alternativas equivalentes, de pesos iguais.

5. A substância pensante (alma) e a substância extensa (corpo) são radicalmente distintas entre si, pelo qual cada se uma comporta segundo lei própria: a liberdade é a lei da substância espiritual, e o mecanicismo é a lei da substância extensa. É o que se chama de dualismo cartesiano.
Paulo Barbosa.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

A PRUDÊNCIA: VIRTUDE QUE FAZ O HOMEM DELIBERAR, JULGAR E AGIR

Quatro são as virtudes cardeais - prudência, justiça, fortaleça e temperança. Destas, veremos hoje o que é a prudência.

Define-se a prudência como aquela virtude que confere ao homem a reta noção daquilo que se deve praticar. Em latim, é a recta ratio factibilium. É uma virtude que informa ou aperfeiçoa a razão prática, ordenando-a à direção certeira da conduta, e é nisto que se diferencia das virtudes morais, pois estas têm por sujeito imediato a  vontade ou o apetite sensitivo, como também das virtudes dianoéticas, aquelas que aperfeiçoam a razão especulativa.

O objeto próprio da prudência é o agir humano, o agibile, e nisto também se diferencia da arte, que tem por objeto as coisas produzidas, o factibile.

Entendida, então, desta maneira, a prudência, por ter como precípuo fim tornar boa a vontade, é essencialmente uma virtude da razão, mediante a qual o homem conhece o que é preciso fazer ou evitar, e implica, simultaneamente, o conhecimento dos princípios gerais da moralidade e o das contingências particulares da ação.

Alguns atos próprios da prudência são a deliberação ou o conselho, o juízo prático e a decisão, ou seja, o homem prudente delibera, julga e decide agir.

Em outro artigo, futuramente, trataremos de modo mais detalhado sobre a diferença que existe entre a prudência e a arte.
Paulo Barbosa.

terça-feira, 5 de julho de 2011

PREITO A DOM RICHARD WILLIAMSON



Começou ontem, 4 de julho de 2011, o julgamento do Bispo Dom Richard Williamson, num tribunal alemão, acusado de "anti-semitismo" pelo motivo de ter dado uma entrevista para um canal de tv sueca. Nesta, o bispo negou a existência de câmaras de gás nos campos de concentração nazistas e o número de judeus mortos.

A nosso ver, e com certeza, ao ver dos homens probos e retos, tornar quem quer que seja réu, por negar fatos históricos, é uma absurdidade sem tamanho, sobretudo em nossos tempos, que se ufanam de ser liberal e democrático. 

O tão propalado Holocausto, se existiu, foi sim um mal, um mal para os judeus, para os ciganos, para as minorias todas que foram perseguidas pelo regime hitlerista, e não apenas para uma raça tal, a judaica, que avocando para si peculiarmente a desgraça, a usa como moeda de troca perante o mundo, exigindo privilégios e singularidades que a nenhum outro povo ou raça se lhe concedeu na História.

É por ter esta convicção, que é a convicção dos homens sábios, que nos unimos a Dom Williamson neste momento amargo de sua vida, humilhado por um tribunal que se quer árbitro das consciências, pelo fato de pensar e expressar o seu pensamento diferentemente das categorias do politicamente correto, e aproveitamos para declarar que não nos curvamos aos preceitos da Revolução que quer nos impor de goela abaixo fórmulas e princípios forjados, pois possuímos autênticos hábitos intelectuais que nos proporcionam pesquisar e chegar à verdade sem preconceitos e irreflexões.

Paulo Barbosa.

O DUPLO FIM DA ARTE E O ADÁGIO "A ARTE PELA ARTE"

Duplo é o fim da arte, um próximo e outro remoto ou último. O fim próximo de qualquer obra de arte - poesia, música, pintura, arquitetura, escultura - é a própria expressão da beleza, ou seja, é um fim estético, e é nisto que a arte se diferencia tanto da ciência quanto da ética, que têm respectivamente por objeto a verdade e o bem, e também da eloquência e da história, que embora possam ter formas estéticas, têm em vista, sobretudo, a convicção da inteligência e a moção da vontade.

O fim último da arte, mais alto que o primeiro, é a perfeição moral do homem. Santo Tomás de Aquino é bem claro quanto a isto ao afirmar que "Omnes scientiae et artes ordinantur ad unum, scilicet ad hominis perfectionem (In Met. Arist., Proem.) "Todas as ciências e artes ordenam-se para um só fim, a saber, a perfeição do homem".

Sabido, pois, qual o fim último da arte, podemos encarar a famosa fórmula "a arte para a arte" ou "a arte pela arte" de duas maneiras, uma aceitável, outra condenável.

Se se quiser expressar com a fórmula que a beleza agrada pelo seu conhecimento, então exprime uma verdade e é aceitável. Porém, se "a arte pela arte" quer significar que a arte deve ser autônoma, independente, que seu fim não deve estar subordinado a um fim superior, e que por isso, basta representar uma beleza exterior , embora embaixo desta exterioridade se esconda a torpeza, a imoralidade, a impiedade, então a famosa fórmula deve ser rejeitada com todo empenho pelo homem reto e de bem. Isto é assim devido a que a torpeza, a imoralidade, a impiedade são desordens, desafinos, e enquanto tais não têm direito de representatividade. Por outro lado, a beleza é ordem e harmonia, incompatível, pois, com aqueles.
Paulo Barbosa.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O ELÃ VITAL NO SISTEMA BERGSONIANO

O ELÃ VITAL, no sistema filosófico de Henri Bergson, é nada menos do que a consciência que penetrou na matéria e a organizou, realizando desta maneira o mundo orgânico em que vivemos. É a causa original da vida, transmitido de geração em geração, ou, conforme a Evolução Criadora, "de uma geração de germes para a geração seguinte, por intermédio dos organismos desenvolvidos, que funcionam como traço de união entre os germes. Conserva-se nas linhas evolutivas entre as quais se divide e é a causa profunda das variações, pelo menos daquelas que se transmitem regularmente, que se adicionam e que criam espécies novas".

A mesma sociedade, ou seja, a sua formação, que antes era fechada e depois passou a aberta, e a religião, antes fabuladora e depois dinâmica, são criações do elã vital, da consciência imersa na matéria.

O elã, entretanto, é finito, limitado, e foi dado de uma vez por todas, não podendo também superar todos os obstáculos.
Paulo Barbosa.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

HEIDDEGER: NÃO E NÃO!


Martin Heiddeger (1899-1976), pensador alemão, acreditado como filósofo em muitos ambientes, elogiado por muitos, mesmo tendo sido adepto convicto do hitlerismo, apelava para a 'angústia' com a finalidade de descobrir o Nada. Num confronto radical com a realidade, com o bom senso, este senhor germânico elegeu um sentimento, a angústia, para desempenhar o papel que somente cabe à razão especulativa. Esta, por sua vez, deve ser destruída, anulada, não para ceder lugar à fé, mas para permitir que algo estranho e alheio à ela desempenhe seu papel.

No fundo, o que Heiddeger começou - o desprezo pela razão, a sua quarentena -, tornou-se a característica ou um dos sinais principais da modernidade, dos nossos dias, visíveis até mesmo nos centros acadêmicos, nas universidades.

Ao se esbarrar com problemas ou questões capitais para a vida humana, a razão deve se calar e o homem ficar sem resposta, segundo o heiddegerismo. O bom senso exclama: Loucura! Mas o nazista alemão pergunta: "se a loucura não deve terminar nunca por ter razão contra a razão"? E eis nossa sociedade repleta de loucos e desvairados, repleta de exigências de cidadania para a loucura. Parece que venceu o germânico, mas em detrimento do homem orgânico e da sociedade por este constituída.

Poderia a angústia, o desespero, bastar para se construir todo um sistema filosófico? O desespero, que outra coisa não é do que a falência da razão que repugna Deus e a sua Igreja Católica, é o cerne e a matéria desta nova filosofia, filosofia que há de ser tida por verdadeira, baseada por um lado num materialismo e ateísmo declarados e por outro na propalada autonomia total do homem moderno e na pretensão de 'mudar o homem', este homem que fora desvirtuado pelo capitalismo e pelo cristianismo católico e que, por isso, deve ser reintegrado na posse de sua faculdade primordial, a liberdade, e na sua soberana natureza.

Pobre homem moderno!
Paulo Barbosa.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O SER DA FORMA, UM POUCO DE METAFÍSICA

Aprende-se em Metafísica que todo ser finito é composto de matéria e forma, a primeira aquilo de que é feito a coisa, e a forma, aquilo que determina a matéria, que lhe dá feições e o ser. Forma dat esse, segundo os escolásticos.

Mas qual o ser da forma? A forma substancial ou o ato primeiro da matéria não é um ser, pois se o fosse, deveria ser constituído de matéria e forma, e assim ao infinito. Na realidade, a forma substancial é princípio do ser, porém a título superior ao da matéria, devido a ser ela que confere o ser substancial à matéria. É mediante a forma que a matéria se determina, se torna uma essência definida, algo de determinado.

Disto se depreende que, mesmo que a forma substancial do corpo - o que denomina-se alma -, como a matéria também, não seja um ser, ela, a alma, tem realmente mais ser do que a matéria. Nem mesmo a forma é necessariamente o ato de uma matéria, ou o princípio de ser de uma matéria, pois se não podemos conceber alguma matéria prima subsistindo sem forma, pode-se perfeitamente conceber uma forma sem matéria, por ser a forma, de si mesma, ato. A alma humana, por exemplo, pode subsistir sem a matéria após desta ser destacada, e os filósofos mesmo chegam a conclusões de que existem substâncias separadas da matéria que não sejam a alma humana, e que a religião denomina Anjo.
Paulo Barbosa.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

VONTADE: APETITE RACIONAL DIFERENTE DO INSTINTO

A vontade é definida pelos filósofos como sendo um apetite ou inclinação racional, e, conforme Aristóteles, apetite penetrado de inteligência, ou melhor, inteligência penetrada de apetite. A definição escolástica de vontade é "Appetitus rationalis sequens intellectum seu tendens in objecta ab intellectu proposita", "Apetite racional que segue o intelecto ou tende para objetos propostos pelo intelecto". 

Depreende-se, pois, disto, que a razão humana, a um tempo é inteligência e vontade, miscigenando, se assim podemos dizer, ambos.

Disto também segue-se que é diferente a vontade humana, perpassada de inteligência, da impulsão do instinto animal, pois a vontade racional, sendo atividade imbuída de inteligência, apreende um objeto sub specie boni, ou seja, representado-o não simplesmente como suscetível de satisfazer uma determinada tendência ou apetite, mas também como significando um grau de apetibilidade ou de bem. A impulsão instintiva, por sua vez, é limitada à uma representação sensível, apreendendo o objeto somente sob o prisma em que este responde ao 'aqui e agora' a um apetite determinado, e por esse fato, a ação segue automaticamente a representação. 

Erra, portando, quem afirma ser a vontade humana - e a inteligência - da mesma natureza da do animal infra-humano, equiparando, num ato de ignorância crassa e pós-moderna - apetite perpassado de inteligência com impulsão instintiva infra-intelectual.
Paulo Barbosa.

terça-feira, 28 de junho de 2011

O ESCRAVIDÃO NA CONCEPÇÃO DE ARISTÓTELES E TOMÁS DE AQUINO


Os escravos, na Antiguidade, eram tidos por entes ou seres que não participavam da natureza humana, ou seja, não possuíam personalidade. Eram res, non persona, coisa, não pessoa. A maior parte do trabalho naquele tempo era executado por eles, mas nunca eram proprietários dos frutos de seu labor. Recebiam o pecúlio, pequeno rebanho que se lhe concedia como um estimulante do trabalho e a comida. 

Os filósofos antigos, entretanto, justificavam a escravidão como algo decorrente da natureza, com o argumento de que servia ou era útil não só ao senhor como também ao escravo. Aristóteles a considerava como uma das divisões naturais da sociedade, semelhante à divisão entre homem e mulher. Segundo o Filósofo, existem homens 'que naturalmente são dispostos a mandar' e homens 'que naturalmente são dispostos à obediência' e é graças à união que 'ambos podem sobreviver'. Por esse motivo conclui que a escravidão 'é vantajosa tanto para o senhor quanto para o escravo' (Política, I, 2, 1552 a).

Com o advento do Cristianismo a concepção de ser a escravatura algo natural mudou e Santo Tomás de Aquino é enfático quando declara "que um homem seja escravo e outro não, é coisa que, de um ponto de vista absoluto, não tem razão natural, mas só razão de utilidade, porquanto é útil ao escravo ser governado por um homem mais prudente, e é útil a este último ser auxiliado pelo escravo" (Suma Teológica II, 2, q. 57, a. 3, ad 2º). Não é natural ou decorrente da natureza o ser escravo, portanto, mas pode ser útil e para ambos, onde prestam-se auxílio mútuo, segundo o Aquinate.

Paulo Barbosa.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O DIREITO DE PROPRIEDADE PRIVADA E AS CIRCUNSTÂNCIAS EM QUE CESSA

O roubo é o ato de se tomar ou reter de maneira injusta um bem alheio, consistindo, pois, numa falta contra a justiça, ao atentar contra os direitos do próximo sobre os seus bens e contra a sociedade, cujo ordenamento exige o respeito aos direitos de cada um.

Circunstâncias há, porém, conforme ensina a sã moral, em que o direito de propriedade cessa, ou seja, em que se pode licitamente tomar e reter o bem alheio. Quais sejam estas circunstâncias, veremos agora:

CASO DE NECESSIDADE EXTREMA, existente quando, entre o direito que possui um proprietário sobre seus bens e o direito à vida de uma pessoa, este último deve prevalecer. Isto é assim devido a que os bens terrenos têm por finalidade auxiliar o homem a viver, e desta forma, se uma propriedade particular ocasionasse prejuízo ou morte ao próximo, estaria contra seu fim. Deve, portanto, o direito de propriedade cessar neste caso. Exemplo de caso extremo, é a fome generalizada numa região ou pais, acarretada por algum desastre natural, um terremoto, por exemplo. A população, então, pode adentrar os supermercados e apropriar-se de alimentos suficientes para a manutenção. 

COMPENSAÇÃO OCULTA, que é alguém tomar secretamente a um devedor o equivalente daquilo que lhe é devido. Não é uma ação injusta a compensação oculta, visto estar de acordo com um legítimo direito e não causar nenhum prejuízo ao devedor. Quatro requisitos, entretanto, devem existir, para que a compensação seja justa:

1. É necessário que seja uma dívida de justiça, isto é, dívida proveniente de um contrato ou de um quase-contrato e não de uma simples promessa;

2. É necessário que seja uma dívida certa, isto é, clara, acertada os valores;

3. É necessário que seja praticamente impossível de ser cobrada e recebida por outras vias;

4. É necessário que a compensação oculta não cause prejuízo injusto nem ao devedor nem a terceiros.

Faltando um destes itens, ensina a moral filosófica, que não se pode usar da compensação oculta.

Paulo Barbosa.

sábado, 25 de junho de 2011

DOIS ANOS DO 'CULTURA E CIVILIZAÇÃO' NO AR


Hoje, dia 25 de junho de 2011, o "CULTURA E CIVILIZAÇÃO" completa dois anos no ar, levando para você, caro leitor, informes sobre Cultura Geral, particularmente Filosofia e Literatura.

Agradecemos a todos os que nos seguem e acessam, tantos os do Brasil, quanto os de Portugal, Estados Unidos, Argentina e de muitos outros países mundo afora.

Aproveitamos a oportunidade para esclarecer que nosso objetivo aqui é apresentar tópicos culturais de maneira sintética, deixando para o leitor e estudioso a busca aprofundada daquilo que, pelo nosso espaço, teve contato e se interessou. Não é nosso fito, portanto, exaurir qualquer assunto que seja, mas apenas oferecer genericamente questões sugestivas para o crescimento intelectual.

Paulo Barbosa.