quinta-feira, 28 de julho de 2011

HILOZOÍSMO, TEORIA DA ANIMAÇÃO GERAL DA NATUREZA

O HILOZOÍSMO é uma doutrina professada pelos antigos filósofos jônios e que tinha por princípio geral considerar o Universo no seu conjunto como dotado de vida. Para esta corrente, a matéria é ativa e vivente, dotada de espontaneidade e sensibilidade. 

Robin, em seu Pensée, 48, afirma que "pouco importa que no tempo de Tales ainda não se fosse incapaz de distinguir a matéria do espírito. Para que possamos chamar a doutrina da época um hilozoísmo, basta que ela seja um protesto contra a experiência comum que opõe a vida à inércia aparente da matéria".

Rosental, por sua vez, afirma que "esta teoria que reconhece a animação geral da Natureza é falsa, visto que a sensação e o pensamento são propriedades só da matéria orgânica altamente desenvolvida".
Paulo Barbosa.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

AS REPRESENTAÇÕES MENTAIS OU IMAGENS NO EMPIRISMO

No EMPIRISMO as representações mentais todas são provenientes do mundo sensível. Tudo era real no começo e o imaginário não passa de uma fabricação com fragmentos do real, com os resíduos das percepções que temos. O homem, ao fechar os olhos, pode se representar, pode representar a mesa que o rodeia, etc. Estas representações ou imagens são apenas reproduções enfraquecidas, mitigadas das sensações quando estão ausentes dos objetos.

Uma imagem para o empirista não é senão um reflexo da percepção ou mesmo uma percepção debilitada, havendo entre ambas apenas uma diferença de intensidade. Como distinguir, então, uma imagem viva de uma percepção enfraquecida? Respondem os empiristas que de fato são confundidas com muita frequência. No sonho, o homem toma suas imagens como realidades e o mesmo acontece com os doente mentais. Mas no estado normal, consegue distinguir bem a percepção e a imagem. Taine afirmava que era necessário um raciocínio para saber se uma representação mental era uma imagem ou uma percepção, como por exemplo, se a chuva que ouço caindo lá fora é uma imagem ou uma percepção. Somente mediante uma verificação - indo à janela, olhando se a rua está molhada - pode a imagem que possuo se converter em percepção.
Paulo Barbosa.

terça-feira, 26 de julho de 2011

ESCOLA DE CHARTES, O CENTRO INTELECTUAL FILOSÓFICO DO SÉCULO XII

Chartres

A ESCOLA DE CHARTRES foi um centro intelectual parisiense do século XII, onde o trabalho intelectual era estritamente filosófico, sem nenhuma predominância teológica. O objetivo principal da agremiação era alargar o horizonte cultural-filosófico que havia se afunilado ou mesmo fechado desde a morte se Severino Boécio, no século V.

Fulbert, bispo de Chartres, morto em 1082, foi um dos pioneiros intelectuais da escola, juntamente com Constantino o Africano e Adelardo de Bath. Os orientadores fundamentais foram Platão e Aristóteles, mas com a predominância do primeiro.

Bernardo de Chartres foi quem fortificou a atuação da escola, e teve por sucessor Gilbert de la Porrée.

Bhréhier, em sua História da Filosofia, diz: "Observa-se que, contrariamente a Adelardo, que segue também Platão, mas o subordina e procura pô-lo aos serviços da apologética cristã, os platônicos de Chartres expõem o platonismo como filosofia independente, sem ensaiar nenhuma aproximação com o dogma e não sem trazer certa fantasia humanística e zelo de estilo, que dá a todas as produções chartrenses um sabor bem especial" (I-574).
Paulo Barbosa.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

SER FILÓSOFO É MAIS QUE ISSO...

Sócrates

SER FILÓSOFO é muito mais que saber explicar a doutrina deste ou daquele senhor ou pensador que um dia produziu ou pariu seu pensamento para que os demais ao seu redor ou no futuro pudessem ter acesso. É muito comum encontramos pessoas que pensam convictamente que o filósofo é aquele que deve saber todas as doutrinas, todos os sistemas que foram sendo elaborados no correr dos séculos, aqui e acolá, sistemas estes contraditórios entre si, sem unidade alguma, muitas vezes. 

Ser filósofo é outra coisa, bem diversa da do historiador de sistemas ou escolas filosóficas. É sobretudo e acima de tudo conhecer a ordem hierárquica que estrutura o universo e a partir dela saber a disposição de cada ser no seu justo limite, e quando for consultado, sem temor e em alto e bom som, ensinar, apontar, ajudar ao restabelecimento do desajustado, do desarranjado. Se no mundo tudo corresse bem, sem distorções, o filósofo seria apenas o ser que contemplaria especulativamente a ordem impingida ao mundo pelo Criador. Havendo, porém, lacunas, desajustes e desordens, cabe a este homem amante da sabedoria, também a tarefa de ensinar o dever ser, o reajuste e a ordem, ou a maneira de restabelecê-la, aquela ordem que traz a harmonia ao homem, que o dignifica e ajusta, e não qualquer ordem imaginada. Pena que o mundo atual rejeita ouvi-lo, aprender dele, e pode-se mesmo afirmar ser essa rejeição ao filósofo uma das causas de tantos tormentos e confusionismos na ordem moral e social.
Paulo Barbosa.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A MATEMÁTICA SEGUNDO DESCARTES, KANT E OS EMPIRISTAS


A noção de número difere segundo as escolas filosóficas modernas. Para Descartes, é noção puramente natural, até mesmo inata. Já no Kantismo, a noção de número enquadra-se nos a priori, ou seja, não é noção natural ao homem e nem nasce com ele, mas sim é forma que o espírito impõe às coisas. Os empiristas, por sua vez, ensinam que as matemáticas surgiram da experiência, não se verificando nenhum a priori nelas, ou seja, a geometria é filha da necessidade.

Paulo Barbosa.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A CORAGEM E A CORAGEM FILOSÓFICA

Sócrates

A CORAGEM é definida como sendo a prática de atos de suma importância com a completa compreensão dos perigos e suas consequências. É mesmo um destemor da ação. Segundo Aristóteles, Sócrates a definiu como a ciência do que é necessário fazer nos momentos de perigos, e Cícero, mais tarde, no De Officiis, diz ser a força a serviço da equidade.
A CORAGEM FILOSÓFICA é aquela ausência de qualquer hesitação de ideias diante daquilo que aos outros possa parecer absurdo. É oposta ao princípio de autoridade, oposição esta baseada na convicção do conhecimento. Diferentemente das demais coragens, a coragem do filósofo é caracterizada por nunca afrontar, mas em demolir as doutrinas contrárias à verdade. Historicamente, encontramos em Sócrates os três aspectos da coragem: a física, caracterizada no destemor da morte a que já estava condenado; a moral, quando deu com convicção segura e ânimo inabalável a última lição, e a filosófica, na fidelidade a seus princípios. Analogamente, a amor que o cientista tem à verdade, traço fundamental seu, é de ordem intelectual e do mesmo sentido que a do filósofo.

Paulo Barbosa.